domingo, 30 de janeiro de 2011
Deus, por favor!!!
Deus Me Dê Grana
Camisa de Vênus
"Senhor vou lhe falar
Nunca pedi assim
Sempre rezei pros outros
Mas desta vez é pra mim.
Perdi tudo que eu tinha
Sei que fiz muita besteira
Mas se você não achar meu bolso, Deus
Por favor coloque na carteira."
Se eu fico aqui parado nesta bobeira sem fim
Logo, logo "os homi" vão estar atrás de mim
Você tá numa boa, é o dono do paraíso
Então me empresta uns trocados, Deus, é só disso que eu preciso
Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror
De manhã bem cedo alguém bate em minha porta
É a proprietária que eu sonhei estava morta
Pulo pela janela na maior correria
Mas é muito difícil, Deus, com a barriga vazia
Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror
Quando passa aquela loira que mora aqui do lado
Só de imaginar eu fico super excitado
Mas como eu posso amar uma treta decente
Se até me falta pasta, Deus, pra escovar os dentes
Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror
Senhor, eu sei que você é gente fina
Sei também que dureza nunca foi a minha sina
Aceito de bom grado uma bolada qualquer
Pode me dar em cheque, Deus, ou em dollar se puder
Deus, me dê grana
Deus, por favor
Deus, me dê grana
Seu filho tá na de horror
Seu filho tá na de horror (2x)
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Poema Anarquista II
Mais um do Poeta Livre, também postada na Anarquismo em 23/01/2011:
Herdei a pobreza da minha família.
Falida há dez mil anos atrás.
Propriedade que priva. Protegida.
Sou privado.
Privada abaixo.
Trata-se de obrigar a solidariedade?
Hoje vai ter marmelada?
Não quero viver te pedindo nada.
Isso não é de vontade.
Nem de verdade.
É de mentirinha.
Não tem sangue nem nada.
Só o que passa adiante.
Manchas no chão da batalha?
Ilusão.
Porcos no chiqueiro tremem de medo.
Anarquistas estão famintos por um bom churrasco.
Churrasco de todas as privações da desigualdade opressiva.
Agressiva.
Nesse armagedom, vejo humanos se dizendo pós-tudo.
Quanta prepotência.
Mas aguardem.
Logo sentirão da nossa força, a potência.
Desertores ou infiltrados?
Seres inflamados,
defendendo a defesa de suas defesas
contra quem quer que seja.
Nem querem mais saber de solução.
Só em gozar sua ilusão,
de um mundo sem coração.
Quanta pretensão...
Mas da história não sabe o terço.
Se eu te contasse que um cachorro amigo meu foi quem teve a coragem de me latir
Ah, se eu te contasse que ele me disse:
"Correr atrás do próprio rabo
é bom pra quem tem rabo doce."
Você nem estaria aqui,
falando em nome dos nossos inimigos.
Não, nem estaria.
Herdei a pobreza da minha família.
Falida há dez mil anos atrás.
Propriedade que priva. Protegida.
Sou privado.
Privada abaixo.
Trata-se de obrigar a solidariedade?
Hoje vai ter marmelada?
Não quero viver te pedindo nada.
Isso não é de vontade.
Nem de verdade.
É de mentirinha.
Não tem sangue nem nada.
Só o que passa adiante.
Manchas no chão da batalha?
Ilusão.
Porcos no chiqueiro tremem de medo.
Anarquistas estão famintos por um bom churrasco.
Churrasco de todas as privações da desigualdade opressiva.
Agressiva.
Nesse armagedom, vejo humanos se dizendo pós-tudo.
Quanta prepotência.
Mas aguardem.
Logo sentirão da nossa força, a potência.
Desertores ou infiltrados?
Seres inflamados,
defendendo a defesa de suas defesas
contra quem quer que seja.
Nem querem mais saber de solução.
Só em gozar sua ilusão,
de um mundo sem coração.
Quanta pretensão...
Mas da história não sabe o terço.
Se eu te contasse que um cachorro amigo meu foi quem teve a coragem de me latir
Ah, se eu te contasse que ele me disse:
"Correr atrás do próprio rabo
é bom pra quem tem rabo doce."
Você nem estaria aqui,
falando em nome dos nossos inimigos.
Não, nem estaria.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Sim, o Lobo
Minha singela homenagem a JOHN LOCKE:
O Lobo
Pitty
Composição: Pitty
Houve um tempo em que os homens
Em suas tribos eram iguais
Veio a fome e então a guerra
Pra alimentá-los como animais
Não houve tempo em que o homem
Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais.
O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!
Sempre em busca do próprio gozo
E todo zelo ficou pra trás
Nunca cede e nem esquece
O que aprendeu com seus ancestrais
Não perdoa e nem releva
Nunca vê que já é demais.
O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!
O Lobo
Pitty
Composição: Pitty
Houve um tempo em que os homens
Em suas tribos eram iguais
Veio a fome e então a guerra
Pra alimentá-los como animais
Não houve tempo em que o homem
Por sobre a Terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais.
O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!
Sempre em busca do próprio gozo
E todo zelo ficou pra trás
Nunca cede e nem esquece
O que aprendeu com seus ancestrais
Não perdoa e nem releva
Nunca vê que já é demais.
O homem é o lobo do homem!
O homem é o lobo do homem!
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Calem a boca nordestinos!
A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.
Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.
Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!
Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…
Ah! Nordestinos…
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!
José Barbosa Junior, na madrugada de 03 de novembro de 2010.
FONTE: BOATEMÁTICA
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Poema Anarquista
Belo poema postado em 23/01/2011 na comu Anarquismo, pelo perfil anônimo Poeta Livre:
Humanos cansados de lutar.
Humanos sem esperanças.
Pessoas tristes.
Glamurosas.
Homens rendidos a uma ilusão:
O mundo acaba em um presente eterno.
Esse.
Essa eterna mudança, que nunca muda.
Homens vivendo um dia de cada vez,
como se fosse alguma coisa,
como se isso significasse mais do que
"viver um dia de cada vez".
Homens desesperados.
Chorando baixo.
Mortos.
Medíocres.
Só sabem pensar que o mundo acaba agora.
Que o mundo já acabou,
que tudo morreu,
que na desgraça mórbida pode haver luz,
além do brilho viscoso de qualquer ferida.
Homens mortos dentro das próprias cabeças.
Medrosos.
Covardes.
Populares.
Desertores ou infiltrados?
Velhas forças arruinadas sussurram em meu ouvido.
Estrondos se fazem.
Sinos badalam.
Ventanias assobiam.
E eu, molhado, debaixo da tempestade final,
vejo discretamente
que apesar de débeis imaginações pós-modernas,
ainda há esperança de olhares além.
Ainda restam os anarquistas.
Humanos cansados de lutar.
Humanos sem esperanças.
Pessoas tristes.
Glamurosas.
Homens rendidos a uma ilusão:
O mundo acaba em um presente eterno.
Esse.
Essa eterna mudança, que nunca muda.
Homens vivendo um dia de cada vez,
como se fosse alguma coisa,
como se isso significasse mais do que
"viver um dia de cada vez".
Homens desesperados.
Chorando baixo.
Mortos.
Medíocres.
Só sabem pensar que o mundo acaba agora.
Que o mundo já acabou,
que tudo morreu,
que na desgraça mórbida pode haver luz,
além do brilho viscoso de qualquer ferida.
Homens mortos dentro das próprias cabeças.
Medrosos.
Covardes.
Populares.
Desertores ou infiltrados?
Velhas forças arruinadas sussurram em meu ouvido.
Estrondos se fazem.
Sinos badalam.
Ventanias assobiam.
E eu, molhado, debaixo da tempestade final,
vejo discretamente
que apesar de débeis imaginações pós-modernas,
ainda há esperança de olhares além.
Ainda restam os anarquistas.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
A Tribo dos Elfos da Floresta
A chuva diminuiu, transformando-se numa garoa fria. Ainda chocados pelas revelações da elfa, os três rapazes caminhavam no mais absoluto silêncio, no que eram acompanhados por Raphael, que tinha seus próprios motivos para permanecer calado. Lia andava à frente do grupo, absorta em seus pensamentos. Ainda não sabia o que fazer quando chegasse à tribo. Seja como for, o rei estava morto, e não tinha uma rainha. Isso representava um grande problema, pois a Tribo dos Elfos da Floresta vem de uma linhagem milenar, e o Rei Ivellius era o último descendente dos seus fundadores. A tribo não se reergueria sem um soberano legítimo. Há trinta anos ela vivia com a certeza de que seu lar havia sido destruído pelos drows. Agora não sabia mais o que pensar.
Um leve estalo fez com que a elfa parasse de chofre. Os rapazes olharam atentos ao redor. Lentamente, três lobos saíram das sombras das árvores. Kraven e Dart, que estavam à frente, desembainharam as espadas.
O primeiro lobo saltou em cima da garota, que estendeu as mãos e agarrou sua pata, fazendo-o tremer e cair, como se tivesse recebido uma descarga elétrica. Os outros investiram contra o bardo e o guerreiro, que em pouco tempo deram cabo deles.
– Até que enfim, alguma diversão! – exclamou o elfo, fazendo seus companheiros rirem e descontraírem-se.
Continuaram caminhando em silêncio, porém menos tensos. Atentos, seguiram a marcha pela trilha que a garota começava a ter dificuldades em identificar. Há anos ninguém passava por ela, e a vegetação estava tão espessa em alguns trechos que eles praticamente tinham que refazê-la. À tardinha aproximaram-se novamente do leito do rio, e a trilha ficou mais nítida por causa das pedras. Lia recordou-se de seus passeios de infância até a pequena corredeira pela qual estavam passando, e viu as pedras onde brincava com seus amigos.
– Estamos perto agora. – murmurou, mais para si do que para os outros. – Chegaremos antes do anoitecer.
A cada passo que davam o coração da elfa reverberava no peito. A trilha parecia ter sido usada há poucos dias. Os rapazes perceberam, e tornaram-se mais cuidadosos. Lia desceu a encosta, seguiu a trilha que serpenteava por entre as árvores e começou a andar mais devagar, olhando para cima. Raphael a seguiu, olhando em volta. Quando se aproximou da garota, ela o afastou com o braço, e seguiu em frente. Os outros pararam, atentos.
– AMAKIIR!!! – gritou. – ONDE ESTÁ AMAKIIR, ELFOS DA FLORESTA?
Trecho de FLORESTA ESMERALDA
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Floresta Esmeralda
Devido à procura pelo meu 1º livro, o Floresta Esmeralda, estou republicando aqui a capa e o link para compra, no site da Editora Multifoco. Os pedidos são feitos pelo PagSeguro, se não tiver cadastro, terá que fazê-lo antes da compra. Se houver dificuldade na compra ou demora na entrega, podem entrar em contato comigo, aqui no blog (pelo CHAT ou deixando comentário), no orkut: ღPåттY ĄиgєŁღ HELLRAISER!!! ou no twitter: @siannodell. Quem já leu (todo ou uma parte) e quiser postar o que achou, fique à vontade também. Beijos a todos!!!
sábado, 25 de dezembro de 2010
No Presents For Christmas
No Presents For Christmas
(King Diamond)
Christmas time is here again
Santa needs a helping hand
We cannot find his evil sheet
To draw his laying for the night
So all the waiting christmas trees
Gonna hear their master sing....
There's no presents, Not this Christmas
There's no presents
Tom and Jerry, Drinking Sherry
They don't give a damn
Christmas time is here again
Santa needs a helping hand
It's getting very, very late
St.Peter's crossed the Golden Gate
An Donald Duck is still in bed
I wonder who he's gonna help
There's no presents, Not this christmas
There's no presents
Tom and Jerry, All done Sherry
They don't give a damn
There's no presents, Not this Christmas
There's no presents
Tom and Jerry, Still Drinking Sherry
They don't give a damn
I'm dreaming of a white... Sabbath...
***
Sem Presentes Para o Natal
(Tradução)
O tempo de natal chegou novamente
Papai noel precisa de uma mão ajudante
Nós nao conseguimos encontrar sua lista má
Para arrumar sua mesa para a noite
Então toda a espera pelas árvores de natal
Ouvirão seu mestre cantar...
Não há presentes, não neste natal
Não há presentes
Tom e Jerry bebendo xerez*
Eles não dão a mínima
O tempo de natal chegou novamente
Papai noel precisa de uma mão ajudante
Está ficando tarde, muito tarde
São Pedro atravessou o portão dourado
E o pato Donald ainda está na cama
Eu imagino quem ele vai ajudar
Não há presentes, não neste natal
Não há presentes
Tom e Jerry, todos bêbados de xerez
Eles não dão a mínima
Não há presentes, não neste natal
Não há presentes
Tom e Jerry, ainda bebem xerez
Eles não dão a mínima
*Xerez (vinho espanhol)
Eles não dão a mínima
Estou sonhando com um branco... Sabbath...
*Xerez (vinho espanhol)
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Scrap de fim de ano
Meus queridos, vejam só que "linda" mensagem de fim de ano eu recebi no orkut esta manhã!
Parece que compartilhar com vocês o caos em que o orkut está se tornando, além do fato de não concordar e de sempre denunciar esses canalhas, tem incomodado eles. Agradeço a Deus por isso, significa que eu estou no caminho certo. Eles continuarão lá, e só vão parar quando ninguém mais se CALAR. Omissão também é crime, e acredito que nenhum de nós se fará omisso diante de tal afronta à liberdade, à fraternidade entre os seres humanos e ao respeito e amor ao próximo. Nem esquecerá quanto sangue foi derramado na História para chegarmos onde chegamos, ainda que muitos queiram ver mais sangue e mais dor. Não tenho medo desses seres; tenho pena! São pessoas vazias de sonhos e objetivos as que se agarram a megalomanias alheias para justificar seu próprio fracasso enquanto ser humano. Pois compartilho agora o resultado, que mostro a vocês para que saibam que tem gente de verdade por trás desses fakes, e eles podem estar mais próximos do que vocês imaginam. No mais, um Feliz Ano Novo, cheio de vitórias e alegrias a todos!!!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
ARABELLA - Tomo I {Heresia}
Cap. 3
A Filha da Parteira
Trecho de ARABELLA
A Filha da Parteira
O sol se erguia preguiçoso no horizonte, iluminando a fumaça que subia aos céus em uma densa espiral. Ela continuava ali parada, alheia ao cansaço e à fome, tentando entender o que havia acontecido. O vento frio cortava seu rosto, ainda aquecido pelo calor do fogo que agora se extinguia. Olhava para os restos da enorme fogueira diante de si, e se perguntava como tudo aquilo começou. Recordou de si mesma ainda pequena, vendo sua mãe se arrumando apressada para atender a um senhor muito jovem que aguardava aflito na soleira da porta aberta da sala.
– Minha esposa está para dar a luz, senhora! – dizia alto enquanto a porta do quarto se fechava. – Por favor, apresse-se!
Então sua mãe saía às pressas, e se demorava a voltar, como tantas outras vezes em outras tantas horas diferentes do dia ou da noite. Madeleine Tyburn era a melhor parteira da região, e atendia não só aos moradores da vila onde viviam, mas também a toda a circunvizinhança, motivo pelo qual às vezes passava vários dias fora. Então a pequena Arabella ia para a casa de sua avó, Sibila, onde aprendia a fazer chás e bolos de diferentes tipos. Alguns anos mais tarde, por volta dos nove anos, já acompanhava sua mãe em alguns partos mais próximos de casa, e a ajudava como podia, enquanto a velha Sibila ensinava agora infusões para dor de barriga, beberagens para dor de dente e pastas de ervas para curar ferimentos. Era assim que se transmitia a profissão: de mãe para filha, as mulheres da família aprendiam desde cedo os mistérios do nascimento e da vida, e mais tarde, da morte.
Nem todos os partos eram bem sucedidos. Arabella se recordava do primeiro recém-nascido que vira morrer, e de como o pai da criança reagiu à notícia:
– Bruxa! Mataste meu filho! Pagarás por isso, pagã maldita!
Tampouco todos os pedidos eram de homens que em breve seriam pais. Às vezes algumas jovens procuravam Madeleine não para dar a vida, mas para interrompê-la. Essas, a parteira atendia em um quartinho dos fundos, já preparado para recebê-las, no qual Arabella foi proibida de entrar até seus treze anos. Outras vezes senhoras mais velhas chegavam se queixando de dores enquanto tomavam chá na sala, e saíam com saquinhos de preparados de ervas que sua mãe lhe explicou que eram para aliviar os males do fim das regras da mulher, quando ela se tornava anciã.
Assim, aos dezesseis anos Arabella já sabia o suficiente das artes da profissão para se considerar uma parteira iniciante. Acompanhava sua mãe em todos os casos, atendia sozinha os mais fáceis e dava assistência às mulheres que precisavam ficar de repouso depois de abortos mais complicados. Foi aí que tudo começou.
Madeleine havia sido chamada à casa de Lady Caroline, esposa de Lord Landaff Moey, duque de Portland, para atender sua filha Mattie, que tinha a idade de Arabella. A garota escondia há seis luas (cerca de cinco meses) uma gravidez que provocaria uma verdadeira explosão no pequeno castelo da família Moey. Antes que seu marido descobrisse da pior maneira o romance de sua filha com o filho do moleiro, Lady Caroline, aproveitando-se de uma ausência demorada de Lord Moey, chamou a parteira em segredo, para que fizesse o aborto no castelo.
– A gravidez está avançada, e a garota é muito jovem. – argumentou Madeleine. – Não é prudente provocar um aborto nessas condições.
– Apenas faça! – respondeu asperamente a duquesa.
Dada à posição de Lady Caroline, e a gravidade da situação, a parteira não teve como recuar. Sabia das consequências se falhasse, mas não teria sorte diferente se recusasse. Com uma breve oração à deusa esquecida da vida e da morte, Madeleine iniciou os procedimentos, temendo tanto pela vida da garota quanto pela sua própria. Mattie parecia estar resistindo bem, mas uma hemorragia pôs fim às esperanças da parteira de que ela sobrevivesse ao aborto. Fez tudo que podia para salvar a garota, e Mattie ainda lutou por dois dias, morrendo no amanhecer do terceiro dia.
Quando Lord Moey retornou, Lady Caroline o convenceu de que a morte de sua filha fora provocada pelas ervas de Madeleine, e que esta havia sido chamada para curar Mattie de um descontrole em suas regras. Então o duque de Portland, cristão convicto e bastante influente na Igreja, procurou o pároco local e acusou a pobre parteira de assassinato. E não de um assassinato comum; Madeleine havia matado sua filha com as artes negras da bruxaria, que havia aprendido com sua mãe, a famosa pitonisa Sibila Tyburn.
Um eminente Bispo de Yorkshire, famoso por ter condenado à fogueira várias mulheres em seu condado sob a acusação de bruxaria, foi comunicado de que a filha do duque de Portland sangrara até a morte nas mãos de uma bruxa. Armado com uma bíblia e um compêndio recém copiado de Kramer e Sprenger, os “filhos queridos” do Papa Inocêncio VIII, o Bispo de Yorkshire rumou para o condado de Dorset.
***
No dia seguinte à chegada do bispo, Madeleine foi denunciada oficialmente ao Santo Ofício pelo duque de Portland, sob as acusações de assassinato e bruxaria. Alguns dias depois, foi chamada a depor perante o bispo beneditino, e Arabella ficou sozinha em casa esperando sua mãe voltar do interrogatório. Mas os dias foram se passando, e Madeleine não retornava, nem mandava notícias. Atordoada e com medo do que poderia ter acontecido, procurou sua avó, mas encontrou a casa vazia. Soube, pelos vizinhos, que Sibila tinha sido levada pelos inquisidores há uma semana, portanto três dias antes de sua mãe. Rumou então para a Igreja de Saint Peter, em Dorchester, e lá ficou sabendo que as duas estavam sendo interrogadas separadamente quase todos os dias. Alguns falavam em torturas horríveis, como cordas e ferros em brasa, outros ainda falavam de uma roda que esticava os membros do infeliz até que ele confessasse tudo quanto os inquisidores quisessem.
Arabella não voltou para casa. Dormia nas ruas escuras e malcheirosas próximas ao mercado, sobrevivendo de pequenos serviços em troca de comida, até que uma senhora chamada Hannah compadeceu-se dela e a abrigou. Ensinou-a a fiar e tecer, depois a bordar, e a garota pagava sua estadia com trabalho, como aprendiz da velha senhora. Esta, por sua vez, trazia informações da Igreja sobre Madeleine e sua mãe. Assim a garota pôde saber da morte de sua avó, cerca de dois meses depois de sua chegada.
Ms. Hannah Hutton, uma viúva bastante conhecida por suas belas peças de linho, que adornavam principalmente o púlpito e o altar principal da igreja local, não tinha dificuldades em colher informações entre os mexericos das beatas. Contou que Sibila fora interrogada pela água, mas os inquisidores calcularam mal sua resistência e ela morreu de uma pneumonia adquirida em decorrência da tortura aplicada, depois de semanas de agonia. Madeleine, no entanto, suportava a tudo, recusando a confessar-se bruxa e alegando-se inocente das acusações, que a essa altura já incluíam dezenas de mortes de recém-nascidos, algumas mulheres, e até mesmo gado e plantações de moradores próximos à vila onde morava. Havia também acusações de “mau olhado”. Ainda assim, a parteira passara pelo interrogatório e pela tortura, mas continuava irredutível. A certa altura Ms. Hannah soube horrorizada que os inquisidores tinham ido procurar Arabella para torturá-la na presença de sua mãe, forçando-a assim a confessar seus pecados, porém não encontraram a garota, que a partir desse dia passou a ser chamada de Amie, e a ser apresentada como uma parenta distante da fiandeira. Arabella começou a fazer bolos e pães, e os vendia no mercado. Aos poucos foi se integrando à vida na paróquia. Com a nova identidade criada por Ms. Hannah, a garota pôde circular dentro dos muros da cidade livremente, absorvendo as diferenças entre aquele lugar e sua pequena vila, com casas distantes umas das outras e grandes florestas em torno das plantações, que davam à terra a aparência de uma enorme colcha de retalhos. Ali as casas eram coladas umas às outras, as ruas estreitas e irregulares, onde as pessoas jogavam lixo e faziam suas necessidades, provocando uma imundície característica dos arredores da barulhenta feira local. Mais adiante ficava a Igreja de Saint Peter, com suas esculturas de santos talhados em pedra e seus vitrais coloridos, contrastando a riqueza da Igreja com a pobreza ao seu redor.
Em pouco tempo, “Amie dos bolos” tornou-se bastante conhecida pelos mercadores. Além disso, as encomendas de Ms. Hannah dobraram, já que agora ela contava com a ajuda das mãos hábeis da garota, o que melhorou consideravelmente a vida das duas. Arabella não arriscara mostrar seu conhecimento da profissão de parteira, com medo de chamar a atenção dos padres para si. Apenas para sua protetora mostrara seus dotes, quando esta ficou doente e Arabella a curou com os chás que aprendera com sua avó Sibila. Durante todo o tempo que Ms. Hannah ficara de cama a jovem cuidara dela, além de cumprir sua cota na manufatura, o que fez com que não fosse ao mercado por duas semanas inteiras. Soube depois que nesse meio tempo outra mulher foi trazida para os porões da Igreja acusada de sugar a alma de um recém-nascido pelo nariz.
Até aquele momento, Arabella havia concentrado a acusação de bruxaria à sua família. Sua avó era uma pitonisa conhecida, e ouvira várias vezes familiares indignados chamarem Madeleine de bruxa quando algo dava errado, principalmente se a mãe morresse no parto ou o primogênito não sobrevivesse. Comentara o fato com Ms. Hannah, que exclamou em tom de cansaço:
– Minha querida, há dez anos perdemos nossa parteira para as fogueiras da Santa Inquisição, por ter enfeitiçado o antigo padre daqui, fazendo-o cair em pecado. A pobre mulher foi queimada viva com a criança ainda crescendo no ventre. Desde então, não há um mês sem que ao menos uma bruxa seja queimada naquela praça, e já vimos muitas. Será um milagre se sua mãe sobreviver.
Um mês depois soube que a outra mulher havia confessado ser uma bruxa e iria ser purificada pelo fogo em praça pública no domingo depois da missa matinal. Nenhuma das duas quis ir à Igreja nesse dia.
As luas iam e vinham, as estações mudaram, e outras mulheres queimaram na praça, enquanto Arabella aguardava o resultado do processo de sua mãe. Embora soubesse que Madeleine resistia, havia perdido as esperanças de que fosse inocentada. Chorava quase todas as noites agora, mas tomara uma decisão; esperaria para ver sua mãe novamente, ainda que fosse apenas no dia de sua morte. Foi quando recebeu a notícia, em primeira mão, de um dos mercadores que compravam seus bolos; neste domingo a bruxa que matou a filha do duque de Portland seria purificada.
Depois de quase dois anos de cárcere e tortura, Madeleine havia sido condenada, pelo crime de bruxaria, a ser queimada viva em praça pública. A garota não conseguia acreditar no que via, pois dentre as acusações que ela ouvia o arauto pronunciar em voz lenta e morosa, existiam coisas absurdas como “cavalgar nua em companhia de outras bruxas, voando ao encontro de Satanás”, “copular com os demônios chamados Incubus, e dessa união ímpia gerar uma criança”, “sacrificar inocentes em louvor ao diabo”, “infligir males ao rebanho de Lord Smith, fazendo-o minguar”, e “fazer sangrar até a morte por artes mágicas a filha do duque de Portland”, a única das acusações que tinha sentido, ainda que também fosse falsa.
Em seguida, viu sua mãe sendo trazida em uma carroça, e acorrentada pelo carrasco a um pequeno poste no centro de uma grande fogueira. A multidão gritava, amaldiçoando-a e lhe atirando pedras e lama. Arabella nunca tinha assistido a uma execução pública, mas aquelas pessoas estavam habituadas ao que consideravam uma diversão bem-vinda, ainda mais quando o condenado era um desafeto da comunidade. Algumas pessoas reconheceram Madeleine. Arabella pôde ver a compaixão em seus rostos, e chegou mesmo a reconhecer uma jovem que sua mãe atendera três anos antes, com seu filho nos braços, se retirando da praça com os olhos marejados e uma expressão de profundo pesar.
Então, lentamente as chamas envolveram a parteira, que gritava e blasfemava contra aqueles que a condenaram, amaldiçoando-os em nome dos deuses antigos, o que provocou reações indignadas da multidão católica, até que uma pedra maior a atingiu na cabeça e ela desmaiou. O corpo de Madeleine foi consumido rapidamente pelas chamas, exalando um odor forte de carne queimada, e quando não restaram mais vestígios da pobre mulher, a multidão se dispersou, restando apenas Arabella e o pálido amanhecer do Solstício de Inverno do Ano de Nosso Senhor de 1486.
– Minha esposa está para dar a luz, senhora! – dizia alto enquanto a porta do quarto se fechava. – Por favor, apresse-se!
Então sua mãe saía às pressas, e se demorava a voltar, como tantas outras vezes em outras tantas horas diferentes do dia ou da noite. Madeleine Tyburn era a melhor parteira da região, e atendia não só aos moradores da vila onde viviam, mas também a toda a circunvizinhança, motivo pelo qual às vezes passava vários dias fora. Então a pequena Arabella ia para a casa de sua avó, Sibila, onde aprendia a fazer chás e bolos de diferentes tipos. Alguns anos mais tarde, por volta dos nove anos, já acompanhava sua mãe em alguns partos mais próximos de casa, e a ajudava como podia, enquanto a velha Sibila ensinava agora infusões para dor de barriga, beberagens para dor de dente e pastas de ervas para curar ferimentos. Era assim que se transmitia a profissão: de mãe para filha, as mulheres da família aprendiam desde cedo os mistérios do nascimento e da vida, e mais tarde, da morte.
Nem todos os partos eram bem sucedidos. Arabella se recordava do primeiro recém-nascido que vira morrer, e de como o pai da criança reagiu à notícia:
– Bruxa! Mataste meu filho! Pagarás por isso, pagã maldita!
Tampouco todos os pedidos eram de homens que em breve seriam pais. Às vezes algumas jovens procuravam Madeleine não para dar a vida, mas para interrompê-la. Essas, a parteira atendia em um quartinho dos fundos, já preparado para recebê-las, no qual Arabella foi proibida de entrar até seus treze anos. Outras vezes senhoras mais velhas chegavam se queixando de dores enquanto tomavam chá na sala, e saíam com saquinhos de preparados de ervas que sua mãe lhe explicou que eram para aliviar os males do fim das regras da mulher, quando ela se tornava anciã.
Assim, aos dezesseis anos Arabella já sabia o suficiente das artes da profissão para se considerar uma parteira iniciante. Acompanhava sua mãe em todos os casos, atendia sozinha os mais fáceis e dava assistência às mulheres que precisavam ficar de repouso depois de abortos mais complicados. Foi aí que tudo começou.
Madeleine havia sido chamada à casa de Lady Caroline, esposa de Lord Landaff Moey, duque de Portland, para atender sua filha Mattie, que tinha a idade de Arabella. A garota escondia há seis luas (cerca de cinco meses) uma gravidez que provocaria uma verdadeira explosão no pequeno castelo da família Moey. Antes que seu marido descobrisse da pior maneira o romance de sua filha com o filho do moleiro, Lady Caroline, aproveitando-se de uma ausência demorada de Lord Moey, chamou a parteira em segredo, para que fizesse o aborto no castelo.
– A gravidez está avançada, e a garota é muito jovem. – argumentou Madeleine. – Não é prudente provocar um aborto nessas condições.
– Apenas faça! – respondeu asperamente a duquesa.
Dada à posição de Lady Caroline, e a gravidade da situação, a parteira não teve como recuar. Sabia das consequências se falhasse, mas não teria sorte diferente se recusasse. Com uma breve oração à deusa esquecida da vida e da morte, Madeleine iniciou os procedimentos, temendo tanto pela vida da garota quanto pela sua própria. Mattie parecia estar resistindo bem, mas uma hemorragia pôs fim às esperanças da parteira de que ela sobrevivesse ao aborto. Fez tudo que podia para salvar a garota, e Mattie ainda lutou por dois dias, morrendo no amanhecer do terceiro dia.
Quando Lord Moey retornou, Lady Caroline o convenceu de que a morte de sua filha fora provocada pelas ervas de Madeleine, e que esta havia sido chamada para curar Mattie de um descontrole em suas regras. Então o duque de Portland, cristão convicto e bastante influente na Igreja, procurou o pároco local e acusou a pobre parteira de assassinato. E não de um assassinato comum; Madeleine havia matado sua filha com as artes negras da bruxaria, que havia aprendido com sua mãe, a famosa pitonisa Sibila Tyburn.
Um eminente Bispo de Yorkshire, famoso por ter condenado à fogueira várias mulheres em seu condado sob a acusação de bruxaria, foi comunicado de que a filha do duque de Portland sangrara até a morte nas mãos de uma bruxa. Armado com uma bíblia e um compêndio recém copiado de Kramer e Sprenger, os “filhos queridos” do Papa Inocêncio VIII, o Bispo de Yorkshire rumou para o condado de Dorset.
***
No dia seguinte à chegada do bispo, Madeleine foi denunciada oficialmente ao Santo Ofício pelo duque de Portland, sob as acusações de assassinato e bruxaria. Alguns dias depois, foi chamada a depor perante o bispo beneditino, e Arabella ficou sozinha em casa esperando sua mãe voltar do interrogatório. Mas os dias foram se passando, e Madeleine não retornava, nem mandava notícias. Atordoada e com medo do que poderia ter acontecido, procurou sua avó, mas encontrou a casa vazia. Soube, pelos vizinhos, que Sibila tinha sido levada pelos inquisidores há uma semana, portanto três dias antes de sua mãe. Rumou então para a Igreja de Saint Peter, em Dorchester, e lá ficou sabendo que as duas estavam sendo interrogadas separadamente quase todos os dias. Alguns falavam em torturas horríveis, como cordas e ferros em brasa, outros ainda falavam de uma roda que esticava os membros do infeliz até que ele confessasse tudo quanto os inquisidores quisessem.
Arabella não voltou para casa. Dormia nas ruas escuras e malcheirosas próximas ao mercado, sobrevivendo de pequenos serviços em troca de comida, até que uma senhora chamada Hannah compadeceu-se dela e a abrigou. Ensinou-a a fiar e tecer, depois a bordar, e a garota pagava sua estadia com trabalho, como aprendiz da velha senhora. Esta, por sua vez, trazia informações da Igreja sobre Madeleine e sua mãe. Assim a garota pôde saber da morte de sua avó, cerca de dois meses depois de sua chegada.
Ms. Hannah Hutton, uma viúva bastante conhecida por suas belas peças de linho, que adornavam principalmente o púlpito e o altar principal da igreja local, não tinha dificuldades em colher informações entre os mexericos das beatas. Contou que Sibila fora interrogada pela água, mas os inquisidores calcularam mal sua resistência e ela morreu de uma pneumonia adquirida em decorrência da tortura aplicada, depois de semanas de agonia. Madeleine, no entanto, suportava a tudo, recusando a confessar-se bruxa e alegando-se inocente das acusações, que a essa altura já incluíam dezenas de mortes de recém-nascidos, algumas mulheres, e até mesmo gado e plantações de moradores próximos à vila onde morava. Havia também acusações de “mau olhado”. Ainda assim, a parteira passara pelo interrogatório e pela tortura, mas continuava irredutível. A certa altura Ms. Hannah soube horrorizada que os inquisidores tinham ido procurar Arabella para torturá-la na presença de sua mãe, forçando-a assim a confessar seus pecados, porém não encontraram a garota, que a partir desse dia passou a ser chamada de Amie, e a ser apresentada como uma parenta distante da fiandeira. Arabella começou a fazer bolos e pães, e os vendia no mercado. Aos poucos foi se integrando à vida na paróquia. Com a nova identidade criada por Ms. Hannah, a garota pôde circular dentro dos muros da cidade livremente, absorvendo as diferenças entre aquele lugar e sua pequena vila, com casas distantes umas das outras e grandes florestas em torno das plantações, que davam à terra a aparência de uma enorme colcha de retalhos. Ali as casas eram coladas umas às outras, as ruas estreitas e irregulares, onde as pessoas jogavam lixo e faziam suas necessidades, provocando uma imundície característica dos arredores da barulhenta feira local. Mais adiante ficava a Igreja de Saint Peter, com suas esculturas de santos talhados em pedra e seus vitrais coloridos, contrastando a riqueza da Igreja com a pobreza ao seu redor.
Em pouco tempo, “Amie dos bolos” tornou-se bastante conhecida pelos mercadores. Além disso, as encomendas de Ms. Hannah dobraram, já que agora ela contava com a ajuda das mãos hábeis da garota, o que melhorou consideravelmente a vida das duas. Arabella não arriscara mostrar seu conhecimento da profissão de parteira, com medo de chamar a atenção dos padres para si. Apenas para sua protetora mostrara seus dotes, quando esta ficou doente e Arabella a curou com os chás que aprendera com sua avó Sibila. Durante todo o tempo que Ms. Hannah ficara de cama a jovem cuidara dela, além de cumprir sua cota na manufatura, o que fez com que não fosse ao mercado por duas semanas inteiras. Soube depois que nesse meio tempo outra mulher foi trazida para os porões da Igreja acusada de sugar a alma de um recém-nascido pelo nariz.
Até aquele momento, Arabella havia concentrado a acusação de bruxaria à sua família. Sua avó era uma pitonisa conhecida, e ouvira várias vezes familiares indignados chamarem Madeleine de bruxa quando algo dava errado, principalmente se a mãe morresse no parto ou o primogênito não sobrevivesse. Comentara o fato com Ms. Hannah, que exclamou em tom de cansaço:
– Minha querida, há dez anos perdemos nossa parteira para as fogueiras da Santa Inquisição, por ter enfeitiçado o antigo padre daqui, fazendo-o cair em pecado. A pobre mulher foi queimada viva com a criança ainda crescendo no ventre. Desde então, não há um mês sem que ao menos uma bruxa seja queimada naquela praça, e já vimos muitas. Será um milagre se sua mãe sobreviver.
Um mês depois soube que a outra mulher havia confessado ser uma bruxa e iria ser purificada pelo fogo em praça pública no domingo depois da missa matinal. Nenhuma das duas quis ir à Igreja nesse dia.
As luas iam e vinham, as estações mudaram, e outras mulheres queimaram na praça, enquanto Arabella aguardava o resultado do processo de sua mãe. Embora soubesse que Madeleine resistia, havia perdido as esperanças de que fosse inocentada. Chorava quase todas as noites agora, mas tomara uma decisão; esperaria para ver sua mãe novamente, ainda que fosse apenas no dia de sua morte. Foi quando recebeu a notícia, em primeira mão, de um dos mercadores que compravam seus bolos; neste domingo a bruxa que matou a filha do duque de Portland seria purificada.
Depois de quase dois anos de cárcere e tortura, Madeleine havia sido condenada, pelo crime de bruxaria, a ser queimada viva em praça pública. A garota não conseguia acreditar no que via, pois dentre as acusações que ela ouvia o arauto pronunciar em voz lenta e morosa, existiam coisas absurdas como “cavalgar nua em companhia de outras bruxas, voando ao encontro de Satanás”, “copular com os demônios chamados Incubus, e dessa união ímpia gerar uma criança”, “sacrificar inocentes em louvor ao diabo”, “infligir males ao rebanho de Lord Smith, fazendo-o minguar”, e “fazer sangrar até a morte por artes mágicas a filha do duque de Portland”, a única das acusações que tinha sentido, ainda que também fosse falsa.
Em seguida, viu sua mãe sendo trazida em uma carroça, e acorrentada pelo carrasco a um pequeno poste no centro de uma grande fogueira. A multidão gritava, amaldiçoando-a e lhe atirando pedras e lama. Arabella nunca tinha assistido a uma execução pública, mas aquelas pessoas estavam habituadas ao que consideravam uma diversão bem-vinda, ainda mais quando o condenado era um desafeto da comunidade. Algumas pessoas reconheceram Madeleine. Arabella pôde ver a compaixão em seus rostos, e chegou mesmo a reconhecer uma jovem que sua mãe atendera três anos antes, com seu filho nos braços, se retirando da praça com os olhos marejados e uma expressão de profundo pesar.
Então, lentamente as chamas envolveram a parteira, que gritava e blasfemava contra aqueles que a condenaram, amaldiçoando-os em nome dos deuses antigos, o que provocou reações indignadas da multidão católica, até que uma pedra maior a atingiu na cabeça e ela desmaiou. O corpo de Madeleine foi consumido rapidamente pelas chamas, exalando um odor forte de carne queimada, e quando não restaram mais vestígios da pobre mulher, a multidão se dispersou, restando apenas Arabella e o pálido amanhecer do Solstício de Inverno do Ano de Nosso Senhor de 1486.
Trecho de ARABELLA
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