Homenagem do blog a mais uma alma talentosa que estava aqui neste mundo só de passagem!
domingo, 24 de julho de 2011
sábado, 23 de julho de 2011
ARABELLA - Tomo I {Heresia}
Cap. 4
Em Portland, os servos do castelo de Lord Moey não paravam de trabalhar desde cedo. Haveria um jantar à noite, onde um dos convidados era o próprio Lord Alexander Frost, Conde de Dorset. Um dos vassalos do duque, o Marquês Joseph McFair, estava prosperando rapidamente em seus negócios com os comerciantes de Veneza, que traziam para o reino as iguarias do oriente, bem como artigos para as principais feiras do condado. Lord Frost pretendia conhecer este homem cuja frota de navios trazia riquezas para Dorset. Mas corria um boato pelo palácio que o principal objetivo de Landaff com esse jantar era obter apoio do conde para capturar e levar a julgamento a filha da parteira que matara sua bela filha Mattie.
Todos sabiam do anúncio posto por Lord Moey, contratando mercenários para capturarem a garota. Ele havia espalhado arautos por todo o condado a alguns dias, e no fim daquela tarde chegaram três estranhos ao castelo, querendo falar com o duque. Os serviçais acreditavam que eles haviam sido contratados por seu senhor, pois ficaram para o jantar. Por isso, não foi surpresa quando dois deles desceram dos aposentos até o salão principal, que estava cheio de criados, todos eles bastante atarefados preparando o banquete de logo mais.
Os mercenários pareciam estrangeiros, dada a sua aparência não muito sutil. Um deles, de cabelos castanhos, usava um tecido xadrez em formato de saia – o kilt – como fazem os highlanders do norte da Escócia, enquanto o outro era um enorme ruivo com tranças e um grande machado, lembrando os antigos saxões que invadiram a Britânia séculos atrás. O terceiro, que não estava com eles, era um irlandês esguio de cabelos negros e olhos verdes, que carregava consigo uma espada e um alaúde, embora aparentasse ser forte demais para um músico, principalmente se comparado a Michael Summers, o menestrel da corte de Moey, e outros menestréis que se vêem nos pomposos salões dos nobres.
O escocês se aproximou de uma das criadas, perguntando pela castelã, e a garota apontou para uma senhora robusta no meio da sala que gesticulava de forma a comandar o enxame de servos, que entrava e saía pelas portas do salão. Em seguida, a jovem criada se esquivou dos guerreiros e retornou aos seus afazeres. Os mercenários se dirigiram à castelã, que já os havia visto e os aguardava em silêncio enquanto atravessavam o salão em sua direção.
– Com licença, minha senhora. – falou o escocês – Meu nome é Bruce McLaggen, e meu amigo se chama William Kent. Nós fomos contratados pelo Duque de Portland para procurar uma garota que estaria presente quando sua filha morreu. A senhora é?
– Ms. Lilly Finnegan. – respondeu, desconfiada. – O que querem de mim?
– Ms. Finnegan! – Bruce olhou mulher diretamente nos olhos, e prosseguiu cautelosamente. – A senhora viu a garota quando ela esteve aqui, certo? Poderia, por favor, nos dar qualquer informação que nos ajudasse a encontrar a pista da fugitiva?
– O que você quer saber sobre a menina, meu filho?
– Bem, Lord Moey nos contou que uma parteira chamada Madeleine foi solicitada por sua esposa para tratar da filha dele, Mattie, e que essa parteira a matou. O duque falou também que a garota que devemos capturar é a filha da parteira, que estava presente quando Mattie morreu. Acredito que a senhora saiba o que aconteceu com ela depois que as duas mulheres partiram do castelo, e isso talvez nos dê uma pista de seu paradeiro. Poderia me contar algo que talvez o duque não saiba?
A castelã olhou em volta, se certificando de que estava tudo em ordem, fez um gesto para que os rapazes a acompanhassem até um canto da sala, e começou a falar rápido e em voz baixa.
– Não devem dizer a ninguém que lhes contei essas coisas. – começa ela, um pouco insegura. – A parteira não teve culpa da morte da menina. Mattie estava grávida de quase seis luas, e acredito que a mãe dela tenha obrigado Madeleine a fazer o aborto. Quando a menina morreu, Lady Caroline nos proibiu de falar sobre o que aconteceu. Contou ao duque que Madeleine tinha sido chamada para curar Mattie de um descontrole das regras, e que em vez disso a parteira a matou com suas ervas. Madeleine foi queimada como bruxa, e agora Lord Moey quer caçar Arabella, a filha da parteira, apenas porque ela estava presente no dia que Mattie morreu, ajudando sua mãe, e por isso milorde acredita que a pobre garota ajudou a matar sua filha.
Bruce olhava espantado para a mulher. Ela continuou a falar, vendo que eles permaneciam calados, esperando para ouvir mais.
– Estou contando essas coisas para vocês porque meu senhor está sendo enganado. Conheci Madeleine, ela fez todos os meus cinco partos, e sei que era uma boa mulher. Quem matou Mattie foi a própria mãe dela, porque a menina estava apaixonada pelo filho do moleiro. Lady Caroline jamais permitiria que essa criança nascesse, nem que para isso precisasse matar sua própria filha, como de fato o fez. Mas se vocês disserem a alguém que lhes contei isso, será meu pescoço que estará na forca. Milady não costuma perdoar aqueles que traem sua confiança.
– Não se preocupe, Ms Finnegan. Não pretendemos revelar o que ficamos sabendo, e muito menos a fonte. Tenha certeza que não falaremos da senhora, nem do que nos contou agora.
Intrigados, os mercenários voltaram para os aposentos que haviam sido designado para eles, e quando entraram se depararam com o irlandês, que os aguardava dedilhando seu alaúde. Ele parecia bastante ansioso, a julgar pelo modo que largou o instrumento na cama quando eles entraram no quarto, então os dois se acomodaram para ouvir primeiro o que ele tinha a dizer.
– Eu explorei os corredores e entreouvi uma conversa interessante. Não foi dita em inglês, mas numa língua mais antiga, quase desconhecida, e pelo que eu pude compreender, tem pessoas nesse castelo que não querem que encontremos a menina.
– Como assim? – perguntou William.
– Escutei pelo vão da porta de um dos quartos uma conversa entre um lorde e sua esposa, e parece que a mulher está preocupada com o destino da tal Arabella. Disse que não podia permitir que a encontrassem.
– Pois nós também descobrimos coisas interessantes. – começou Bruce. – Encontramos a castelã no salão principal. Ela nos contou que a filha do duque estava grávida, e morreu quando a mãe obrigou a parteira a fazer o aborto. Parece que Lady Caroline é a verdadeira responsável pela morte de Mattie.
– É, amigos! – exclamou o galês. – Pelo jeito nós nos metemos em um vespeiro.
– Vespeiro ou não, o duque já nos adiantou parte da recompensa. – argumentou o escocês. – Além disso, nos deu três cavalos e um salvo-conduto com seu brasão. Partiremos ao amanhecer para procurar a garota, seja ela culpada ou não. Mas agora é melhor nos apressarmos. Lord Moey nos convidou para o jantar, pode ser que descubramos mais coisas interessantes lá. Procurem não beber muito.
– Ficarei atento aos convidados da festa. – concordou Ian, e eles se ocuparam em arrumar-se para o jantar logo mais.
***
Mais tarde, os rapazes desceram ao salão de jantar, sentando-se à mesa, onde identificaram Lord Alexander Frost à direita do duque, e sua esposa Caroline Moey sentada ao seu lado, os três conversando em voz baixa. Viram também o casal cuja conversa Ian havia escutado. O bardo perguntou ao comensal ao seu lado se os conhecia, e este informou que eram os McFair, marquês e marquesa de Weymouth. Informou também que Lord Moey oferecia este jantar para apresentar formalmente Lord Joseph McFair e sua esposa Alexia ao Conde de Dorset. O bardo olhou na direção dos dois, notando que eles discutiam algo aos cochichos, com as cabeças juntas e os rostos tensos.
Algum tempo depois, Moey ergueu-se de sua cadeira, acenando com um gesto para que os McFair fizessem o mesmo. Ele apresentou o casal ao conde e aos presentes, elogiando Lord McFair pelos seus bem sucedidos negócios com a França, que traziam excelentes produtos para as feiras, e riquezas para o condado. Lord Frost recompensou o marquês com algumas honrarias, e os três nobres em seguida começaram a conversar entre si, discutindo os planos que tinham para Dorset.
A ceia foi servida, e aos poucos o vinho foi tornando a festa mais barulhenta. No meio do salão, um menestrel animava a festa, cantando canções alegres e provocando os comensais a cantar também e a pedir canções. Era Michael Summers, menestrel do Duque de Portland, famoso por suas baladas épicas e canções de viagem. Bruce e William olhavam para o casal de Weymouth, que Ian O’Connel havia apontado, mas este observava atentamente a performance do menestrel.
Nesse momento, Michael fez um movimento amplo com as mãos, deixando visível uma marca na palma que, embora bastante apagada, Ian conseguiu identificar como sendo a estrela de cinco pontas, um dos símbolos mágicos da antiga religião pagã. Ele não tinha essa tatuagem, porque na Irlanda o cristianismo era forte demais para permitir que esse tipo de sinal passasse impune, mas sabia que na Inglaterra aquele era um sinal que marcava a iniciação dos bardos e das bruxas. Não compreendia porque a Inquisição ainda não havia descoberto a existência dos bardos, herdeiros dos segredos místicos dos antigos druidas daquelas terras. Talvez esse desinteresse se devesse ao fato de que bardos são artistas – e homens –, e por isso os padres não viam sinais de magia nessas tatuagens. Mas o mais interessante é que se tratava do menestrel da corte do próprio Duque de Portland. Será que Moey sabia que seu músico particular era um bardo?
William Kent, que não havia desviado o olhar dos McFair por um só momento, tirou O’Connel de seu devaneio com um leve empurrão em seu braço. Assim que conseguiu chamar a atenção dele, William fez um gesto discreto com a cabeça, convidando-o a ver o que estava acontecendo. Foi quando ele percebeu que os McFair estavam se levantando da mesa, expressando suas desculpas ao conde e aos anfitriões por estarem se retirando mais cedo. Os rapazes confabularam rapidamente sobre o que fariam em seguida, e decidiram se retirar também. Dirigiram-se até a cabeceira da mesa, e com a desculpa de terem que acordar cedo na manhã seguinte, saíram o mais rapidamente possível sem levantar suspeitas de suas intenções. Eles tentaram alcançar o casal antes que chegassem aos seus aposentos, mas quando chegaram à porta do quarto dos McFair, ela estava trancada. Bateram, mas não houve resposta. Tentaram uma segunda vez, e nada. Decidiram então dormir, porque de qualquer maneira deveriam realmente acordar cedo, pois partiriam para Dorchester na manhã seguinte. O irlandês tinha uma amiga naquela cidade, e talvez ela pudesse ajudá-los a encontrar a garota-bruxa que estavam caçando. Seu nome era Rayne Tyndale, e ela conhecia praticamente toda a Inglaterra, pois viajava com um grupo de artistas pelas feiras. Esperava encontrá-la em Dorchester, pois sua feira era a maior do condado, além de ser a cidade natal da garota, e ele sabia o quanto Rayne gostava daquele lugar.
Partiram ao amanhecer, depois de passarem pelas cozinhas para se despediram de Ms. Finnegan, que gentilmente os abasteceu com cereais, carne salgada e o pão seco, feito com quase nenhum fermento, para que não estragassem em poucos dias. Então eles apanharam os cavalos nos estábulos e seguiram viagem, contando que chegariam a Dorchester no início daquela tarde se cavalgassem a manhã inteira, sem descanso. Ao entrar na cidade, depararam-se com a feira já em seu final, e uma trupe de malabaristas se apresentava em um pequeno palco improvisado. Ian se aproximou da cesta de coleta e jogou algumas moedas, localizando Rayne no meio dos malabares. Ela retribuiu-lhe o olhar, acenando com a cabeça pra indicar que o vira, e continuou o espetáculo. Quando a apresentação terminou, ela se afastou da trupe e veio falar com o irlandês.
– Ora, se não é o meu velho amigo Ian O’Connel, o irlandês de dedos ágeis e língua ferina! – cumprimentou ela, zombeteira. – O que o traz a Dorset?
– Fui contratado pelo Duque de Portland para encontrar uma garota fugitiva. – respondeu o bardo. – Pode nos ajudar, Rayne?
– Ah, isso! – resmungou a garota. – Eu vi o anúncio da recompensa, Lord Moey mandou um dos seus arautos para cá. O que eu ganho se ajudar vocês?
– Que tal uma peça de ouro?
– Uma peça? Que mixaria! Cinco, e não se fala mais nisso!
Ian abriu os braços, divertido, estendendo a mão para a acrobata.
– A humilde e generosa Rayne Tyndale! Três moedas, então? Pelos velhos tempos?
A garota riu e apertou a mão do bardo.
– Fechado! Para onde pretendem ir?
– Lord Moey nos informou que a garota provavelmente se escondeu na floresta do Vale de Blackmore. – contou ele.
– Na floresta assombrada? – perguntou a acrobata, surpresa.
– Sim, ela fugiu para lá. Pode nos guiar pelo vale, Rayne?
– Bem, árvores não são minha especialidade, mas conheço um caçador que mora na entrada do vale. Seu nome é Luke Callot, e se há alguém no condado que conhece a Floresta de Blackmore, esse alguém é o Luke.
– Então vamos procurar esse caçador.
O grupo seguiu então para o Vale Blackmore, em busca do guia que os levaria para o coração da floresta assombrada.
Mercenários
Em Portland, os servos do castelo de Lord Moey não paravam de trabalhar desde cedo. Haveria um jantar à noite, onde um dos convidados era o próprio Lord Alexander Frost, Conde de Dorset. Um dos vassalos do duque, o Marquês Joseph McFair, estava prosperando rapidamente em seus negócios com os comerciantes de Veneza, que traziam para o reino as iguarias do oriente, bem como artigos para as principais feiras do condado. Lord Frost pretendia conhecer este homem cuja frota de navios trazia riquezas para Dorset. Mas corria um boato pelo palácio que o principal objetivo de Landaff com esse jantar era obter apoio do conde para capturar e levar a julgamento a filha da parteira que matara sua bela filha Mattie.
Todos sabiam do anúncio posto por Lord Moey, contratando mercenários para capturarem a garota. Ele havia espalhado arautos por todo o condado a alguns dias, e no fim daquela tarde chegaram três estranhos ao castelo, querendo falar com o duque. Os serviçais acreditavam que eles haviam sido contratados por seu senhor, pois ficaram para o jantar. Por isso, não foi surpresa quando dois deles desceram dos aposentos até o salão principal, que estava cheio de criados, todos eles bastante atarefados preparando o banquete de logo mais.
Os mercenários pareciam estrangeiros, dada a sua aparência não muito sutil. Um deles, de cabelos castanhos, usava um tecido xadrez em formato de saia – o kilt – como fazem os highlanders do norte da Escócia, enquanto o outro era um enorme ruivo com tranças e um grande machado, lembrando os antigos saxões que invadiram a Britânia séculos atrás. O terceiro, que não estava com eles, era um irlandês esguio de cabelos negros e olhos verdes, que carregava consigo uma espada e um alaúde, embora aparentasse ser forte demais para um músico, principalmente se comparado a Michael Summers, o menestrel da corte de Moey, e outros menestréis que se vêem nos pomposos salões dos nobres.
O escocês se aproximou de uma das criadas, perguntando pela castelã, e a garota apontou para uma senhora robusta no meio da sala que gesticulava de forma a comandar o enxame de servos, que entrava e saía pelas portas do salão. Em seguida, a jovem criada se esquivou dos guerreiros e retornou aos seus afazeres. Os mercenários se dirigiram à castelã, que já os havia visto e os aguardava em silêncio enquanto atravessavam o salão em sua direção.
– Com licença, minha senhora. – falou o escocês – Meu nome é Bruce McLaggen, e meu amigo se chama William Kent. Nós fomos contratados pelo Duque de Portland para procurar uma garota que estaria presente quando sua filha morreu. A senhora é?
– Ms. Lilly Finnegan. – respondeu, desconfiada. – O que querem de mim?
– Ms. Finnegan! – Bruce olhou mulher diretamente nos olhos, e prosseguiu cautelosamente. – A senhora viu a garota quando ela esteve aqui, certo? Poderia, por favor, nos dar qualquer informação que nos ajudasse a encontrar a pista da fugitiva?
– O que você quer saber sobre a menina, meu filho?
– Bem, Lord Moey nos contou que uma parteira chamada Madeleine foi solicitada por sua esposa para tratar da filha dele, Mattie, e que essa parteira a matou. O duque falou também que a garota que devemos capturar é a filha da parteira, que estava presente quando Mattie morreu. Acredito que a senhora saiba o que aconteceu com ela depois que as duas mulheres partiram do castelo, e isso talvez nos dê uma pista de seu paradeiro. Poderia me contar algo que talvez o duque não saiba?
A castelã olhou em volta, se certificando de que estava tudo em ordem, fez um gesto para que os rapazes a acompanhassem até um canto da sala, e começou a falar rápido e em voz baixa.
– Não devem dizer a ninguém que lhes contei essas coisas. – começa ela, um pouco insegura. – A parteira não teve culpa da morte da menina. Mattie estava grávida de quase seis luas, e acredito que a mãe dela tenha obrigado Madeleine a fazer o aborto. Quando a menina morreu, Lady Caroline nos proibiu de falar sobre o que aconteceu. Contou ao duque que Madeleine tinha sido chamada para curar Mattie de um descontrole das regras, e que em vez disso a parteira a matou com suas ervas. Madeleine foi queimada como bruxa, e agora Lord Moey quer caçar Arabella, a filha da parteira, apenas porque ela estava presente no dia que Mattie morreu, ajudando sua mãe, e por isso milorde acredita que a pobre garota ajudou a matar sua filha.
Bruce olhava espantado para a mulher. Ela continuou a falar, vendo que eles permaneciam calados, esperando para ouvir mais.
– Estou contando essas coisas para vocês porque meu senhor está sendo enganado. Conheci Madeleine, ela fez todos os meus cinco partos, e sei que era uma boa mulher. Quem matou Mattie foi a própria mãe dela, porque a menina estava apaixonada pelo filho do moleiro. Lady Caroline jamais permitiria que essa criança nascesse, nem que para isso precisasse matar sua própria filha, como de fato o fez. Mas se vocês disserem a alguém que lhes contei isso, será meu pescoço que estará na forca. Milady não costuma perdoar aqueles que traem sua confiança.
– Não se preocupe, Ms Finnegan. Não pretendemos revelar o que ficamos sabendo, e muito menos a fonte. Tenha certeza que não falaremos da senhora, nem do que nos contou agora.
Intrigados, os mercenários voltaram para os aposentos que haviam sido designado para eles, e quando entraram se depararam com o irlandês, que os aguardava dedilhando seu alaúde. Ele parecia bastante ansioso, a julgar pelo modo que largou o instrumento na cama quando eles entraram no quarto, então os dois se acomodaram para ouvir primeiro o que ele tinha a dizer.
– Eu explorei os corredores e entreouvi uma conversa interessante. Não foi dita em inglês, mas numa língua mais antiga, quase desconhecida, e pelo que eu pude compreender, tem pessoas nesse castelo que não querem que encontremos a menina.
– Como assim? – perguntou William.
– Escutei pelo vão da porta de um dos quartos uma conversa entre um lorde e sua esposa, e parece que a mulher está preocupada com o destino da tal Arabella. Disse que não podia permitir que a encontrassem.
– Pois nós também descobrimos coisas interessantes. – começou Bruce. – Encontramos a castelã no salão principal. Ela nos contou que a filha do duque estava grávida, e morreu quando a mãe obrigou a parteira a fazer o aborto. Parece que Lady Caroline é a verdadeira responsável pela morte de Mattie.
– É, amigos! – exclamou o galês. – Pelo jeito nós nos metemos em um vespeiro.
– Vespeiro ou não, o duque já nos adiantou parte da recompensa. – argumentou o escocês. – Além disso, nos deu três cavalos e um salvo-conduto com seu brasão. Partiremos ao amanhecer para procurar a garota, seja ela culpada ou não. Mas agora é melhor nos apressarmos. Lord Moey nos convidou para o jantar, pode ser que descubramos mais coisas interessantes lá. Procurem não beber muito.
– Ficarei atento aos convidados da festa. – concordou Ian, e eles se ocuparam em arrumar-se para o jantar logo mais.
***
Mais tarde, os rapazes desceram ao salão de jantar, sentando-se à mesa, onde identificaram Lord Alexander Frost à direita do duque, e sua esposa Caroline Moey sentada ao seu lado, os três conversando em voz baixa. Viram também o casal cuja conversa Ian havia escutado. O bardo perguntou ao comensal ao seu lado se os conhecia, e este informou que eram os McFair, marquês e marquesa de Weymouth. Informou também que Lord Moey oferecia este jantar para apresentar formalmente Lord Joseph McFair e sua esposa Alexia ao Conde de Dorset. O bardo olhou na direção dos dois, notando que eles discutiam algo aos cochichos, com as cabeças juntas e os rostos tensos.
Algum tempo depois, Moey ergueu-se de sua cadeira, acenando com um gesto para que os McFair fizessem o mesmo. Ele apresentou o casal ao conde e aos presentes, elogiando Lord McFair pelos seus bem sucedidos negócios com a França, que traziam excelentes produtos para as feiras, e riquezas para o condado. Lord Frost recompensou o marquês com algumas honrarias, e os três nobres em seguida começaram a conversar entre si, discutindo os planos que tinham para Dorset.
A ceia foi servida, e aos poucos o vinho foi tornando a festa mais barulhenta. No meio do salão, um menestrel animava a festa, cantando canções alegres e provocando os comensais a cantar também e a pedir canções. Era Michael Summers, menestrel do Duque de Portland, famoso por suas baladas épicas e canções de viagem. Bruce e William olhavam para o casal de Weymouth, que Ian O’Connel havia apontado, mas este observava atentamente a performance do menestrel.
Nesse momento, Michael fez um movimento amplo com as mãos, deixando visível uma marca na palma que, embora bastante apagada, Ian conseguiu identificar como sendo a estrela de cinco pontas, um dos símbolos mágicos da antiga religião pagã. Ele não tinha essa tatuagem, porque na Irlanda o cristianismo era forte demais para permitir que esse tipo de sinal passasse impune, mas sabia que na Inglaterra aquele era um sinal que marcava a iniciação dos bardos e das bruxas. Não compreendia porque a Inquisição ainda não havia descoberto a existência dos bardos, herdeiros dos segredos místicos dos antigos druidas daquelas terras. Talvez esse desinteresse se devesse ao fato de que bardos são artistas – e homens –, e por isso os padres não viam sinais de magia nessas tatuagens. Mas o mais interessante é que se tratava do menestrel da corte do próprio Duque de Portland. Será que Moey sabia que seu músico particular era um bardo?
William Kent, que não havia desviado o olhar dos McFair por um só momento, tirou O’Connel de seu devaneio com um leve empurrão em seu braço. Assim que conseguiu chamar a atenção dele, William fez um gesto discreto com a cabeça, convidando-o a ver o que estava acontecendo. Foi quando ele percebeu que os McFair estavam se levantando da mesa, expressando suas desculpas ao conde e aos anfitriões por estarem se retirando mais cedo. Os rapazes confabularam rapidamente sobre o que fariam em seguida, e decidiram se retirar também. Dirigiram-se até a cabeceira da mesa, e com a desculpa de terem que acordar cedo na manhã seguinte, saíram o mais rapidamente possível sem levantar suspeitas de suas intenções. Eles tentaram alcançar o casal antes que chegassem aos seus aposentos, mas quando chegaram à porta do quarto dos McFair, ela estava trancada. Bateram, mas não houve resposta. Tentaram uma segunda vez, e nada. Decidiram então dormir, porque de qualquer maneira deveriam realmente acordar cedo, pois partiriam para Dorchester na manhã seguinte. O irlandês tinha uma amiga naquela cidade, e talvez ela pudesse ajudá-los a encontrar a garota-bruxa que estavam caçando. Seu nome era Rayne Tyndale, e ela conhecia praticamente toda a Inglaterra, pois viajava com um grupo de artistas pelas feiras. Esperava encontrá-la em Dorchester, pois sua feira era a maior do condado, além de ser a cidade natal da garota, e ele sabia o quanto Rayne gostava daquele lugar.
Partiram ao amanhecer, depois de passarem pelas cozinhas para se despediram de Ms. Finnegan, que gentilmente os abasteceu com cereais, carne salgada e o pão seco, feito com quase nenhum fermento, para que não estragassem em poucos dias. Então eles apanharam os cavalos nos estábulos e seguiram viagem, contando que chegariam a Dorchester no início daquela tarde se cavalgassem a manhã inteira, sem descanso. Ao entrar na cidade, depararam-se com a feira já em seu final, e uma trupe de malabaristas se apresentava em um pequeno palco improvisado. Ian se aproximou da cesta de coleta e jogou algumas moedas, localizando Rayne no meio dos malabares. Ela retribuiu-lhe o olhar, acenando com a cabeça pra indicar que o vira, e continuou o espetáculo. Quando a apresentação terminou, ela se afastou da trupe e veio falar com o irlandês.
– Ora, se não é o meu velho amigo Ian O’Connel, o irlandês de dedos ágeis e língua ferina! – cumprimentou ela, zombeteira. – O que o traz a Dorset?
– Fui contratado pelo Duque de Portland para encontrar uma garota fugitiva. – respondeu o bardo. – Pode nos ajudar, Rayne?
– Ah, isso! – resmungou a garota. – Eu vi o anúncio da recompensa, Lord Moey mandou um dos seus arautos para cá. O que eu ganho se ajudar vocês?
– Que tal uma peça de ouro?
– Uma peça? Que mixaria! Cinco, e não se fala mais nisso!
Ian abriu os braços, divertido, estendendo a mão para a acrobata.
– A humilde e generosa Rayne Tyndale! Três moedas, então? Pelos velhos tempos?
A garota riu e apertou a mão do bardo.
– Fechado! Para onde pretendem ir?
– Lord Moey nos informou que a garota provavelmente se escondeu na floresta do Vale de Blackmore. – contou ele.
– Na floresta assombrada? – perguntou a acrobata, surpresa.
– Sim, ela fugiu para lá. Pode nos guiar pelo vale, Rayne?
– Bem, árvores não são minha especialidade, mas conheço um caçador que mora na entrada do vale. Seu nome é Luke Callot, e se há alguém no condado que conhece a Floresta de Blackmore, esse alguém é o Luke.
– Então vamos procurar esse caçador.
O grupo seguiu então para o Vale Blackmore, em busca do guia que os levaria para o coração da floresta assombrada.
Trecho de ARABELLA
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Roll a D6
Roll a D6*
In the basement rollin dice, I'm a wizard
When we play we do it right, candles flicker
Fighting dragons in my mind, (in my mind) just for kicks (kicks)
DM says you're gonna die, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now DM says you're gonna die, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now DM says you're gonna die, roll a D6!
Gimme perception check (check)
Make your damn roll worthwhile
Players love my style, at my table gettin wild
Got these schemes a plottin, I got my map and my cloak
Got the players heads a poppin, someone get me more Coke!
HELL YEAA
Level up! Lev- Level up!
Goblins all around me I be hackin em all up!
I be hackin em all up!
I be hackin em all up!
When there's Goblins all around me I be hackin em all up up up
In the basement rollin dice, I'm a wizard
When we play we think we fight giant lizards
Getting treasure piled high (piled high), Like the Rogue, Nyx
Steal a wallet from that guy? Roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now Steal a wallet from that guy, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now Steal a wallet from that guy, roll a D6!
Keepin it keepin it wild, In the forest I got style,
I'm a level thirty ranger, I been playin for a while
This is how we live, every single night
Necromancer raise the dead , and let me see them fight (ight ight ight)
HELL YEAA
Raise em up, raise, raise em up!
Zombies all around me I be hackin them all up
I be hackin them all up
I be hackin them all up
When there zombies all around me I be hackin them all up up up
Sittin down here with these mice, I'm a wizard
When we play we go all night, eating twizzlers
Got my spell books piled high, (piled high) learning new tricks
Shooting lightning to the sky, (whispered) roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
A HA HA HA HA Shooting lightning to the sky, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
A HA HA HA HA Shooting lightning to the sky, roll a D6!
Its that Dungeon Crawlin Beast make you put yo shields up
Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
Its that Dungeon Crawlin Beast make you put yo shields up
Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
HELL YEAAA Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
HELL YEAAA Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
In the basement rollin dice, I'm a wizard
When we play we do it right, candles flicker
Fighting dragons in my mind, (in my mind) just for kicks (kicks)
DM says you're gonna die, roll a D6
Roll a D6, roll a D6
HA ha ha ha ha DM says you're gonna die, roll a D6
Roll a D6, roll a D6
HA ha ha ha ha DM says you're gonna die, roll a D6
* Paródia da música "Like a G6", Far East Movement.
In the basement rollin dice, I'm a wizard
When we play we do it right, candles flicker
Fighting dragons in my mind, (in my mind) just for kicks (kicks)
DM says you're gonna die, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now DM says you're gonna die, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now DM says you're gonna die, roll a D6!
Gimme perception check (check)
Make your damn roll worthwhile
Players love my style, at my table gettin wild
Got these schemes a plottin, I got my map and my cloak
Got the players heads a poppin, someone get me more Coke!
HELL YEAA
Level up! Lev- Level up!
Goblins all around me I be hackin em all up!
I be hackin em all up!
I be hackin em all up!
When there's Goblins all around me I be hackin em all up up up
In the basement rollin dice, I'm a wizard
When we play we think we fight giant lizards
Getting treasure piled high (piled high), Like the Rogue, Nyx
Steal a wallet from that guy? Roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now Steal a wallet from that guy, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
Na-na-na-na-now Steal a wallet from that guy, roll a D6!
Keepin it keepin it wild, In the forest I got style,
I'm a level thirty ranger, I been playin for a while
This is how we live, every single night
Necromancer raise the dead , and let me see them fight (ight ight ight)
HELL YEAA
Raise em up, raise, raise em up!
Zombies all around me I be hackin them all up
I be hackin them all up
I be hackin them all up
When there zombies all around me I be hackin them all up up up
Sittin down here with these mice, I'm a wizard
When we play we go all night, eating twizzlers
Got my spell books piled high, (piled high) learning new tricks
Shooting lightning to the sky, (whispered) roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
A HA HA HA HA Shooting lightning to the sky, roll a D6!
Roll a D6, roll a D6
A HA HA HA HA Shooting lightning to the sky, roll a D6!
Its that Dungeon Crawlin Beast make you put yo shields up
Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
Its that Dungeon Crawlin Beast make you put yo shields up
Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
HELL YEAAA Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
HELL YEAAA Make you put yo shields up, put yo, put yo shields up!
In the basement rollin dice, I'm a wizard
When we play we do it right, candles flicker
Fighting dragons in my mind, (in my mind) just for kicks (kicks)
DM says you're gonna die, roll a D6
Roll a D6, roll a D6
HA ha ha ha ha DM says you're gonna die, roll a D6
Roll a D6, roll a D6
HA ha ha ha ha DM says you're gonna die, roll a D6
* Paródia da música "Like a G6", Far East Movement.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Dá-lhe Alceu!!!
Alceu Valença, músico e compositor mostra sua opinião e seu apoio a Chico César, também músico e compositor, além de secretário estadual de cultura na Paraíba, no investimento de elementos fortes da cultura nordestina e brasileira, e na luta contra a mercantilização e dilapidação desse patrimônio.
O Forro Vivo!
Vejo com muito bons olhos – olhos atentos de quem há décadas observa os movimentos da cultura em nosso país – a iniciativa do Secretário de Cultura do Estado da Paraíba, Chico César, de “investir conceitualmente nos festejos juninos”, segundo comunicado oficial divulgado esta semana. Além de brilhante cantor e compositor, Chico tem se mostrado um grande amigo da arte também como um dos maiores gestores da cultura desse país.
A maneira mais fácil de dominar um povo – e a mais sórdida também – é despi-lo de sua cultura natural, daquilo que o identifica enquanto um grupamento social homogêneo, com linguagens e referências próprias. Festas como o São João e o carnaval, que no Brasil adquiriram status extraordinariamente significativo, tem sido vilipendiadas com a adesão de pretensos agentes culturais alienígenas mancomunados com políticas públicas mercantilistas sem o menor compromisso com a identidade de nosso povo, de nossas festas, e por que não, de nossas melhores tradições, no sentido mais progressista da palavra.
Sempre digo que precisamos valorizar os conceitos, para que a arte não se dilua em enganosas jogadas de marketing. No que se refere ao papel de uma secretaria ou qualquer órgão público, entendo que seu objetivo primordial seja o de fomentar, preservar e difundir a cultura de seu estado, muito mais do que simplesmente promover eventos de entretenimento fácil com recursos públicos. É preciso compreender esta diferença quando se fala de gestão de cultura em nosso país.
Defendo democraticamente qualquer manifestação artística, mas entendo que o calendário anual seja largo o suficiente para comportar shows de todos os estilos, nacionais ou internacionais. Por isso apóio a iniciativa de Chico em evitar que interesses mercadológicos enfiem pelo gargalo atrações que nada tem a ver com os elementos que fizeram das festas juninas uma das celebrações brasileiras mais reconhecidas em todo o mundo.
Lembro-me que da última vez que encontrei o mestre Luiz Gonzaga, num leito de hospital, este me pedia aos prantos: “não deixe meu forrozinho morrer”. Graças a exemplos como o de Chico César, o velho Lua pode descansar mais tranquilo. O forró de sua linhagem há de permanecer vivo e fortalecido sempre que houver uma fogueira queimando em homenagem a São João.
Alceu Valença
Alceu publicou esse manifesto em sua página oficial, segue o link: http://www.alceuvalenca.com.br/
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Literatura Fantástica e Rock'n'Roll em Salvador/BA
Literatura Fantástica e rock n’ roll fazem o encontro perfeito na noite do dia 20 de abril.
Serviço:
Bate-papo sobre Literatura Fantástica com Albarus Andreos e show da banda Fridha.
Onde: Teatro Eva Herz, Livraria Cultura
Salvador Shopping, av. Tancredo Neves
Quando: 20 de abril, 19 horas
Entrada Gratuita
Em pleno teatro da Livraria Cultura, duas artes se encontram. Albarus Andreos, escritor do livro A Fome de Íbus – O Livro do Dentes-de-Sabre propõe um bate-papo sobre literatura fantástica para escritores, amantes do gênero, ou apenas curiosos. Para finalizar, a banda de rock Fridha fecha a noite com suas músicas que passeiam do gutural ao melódico e letras que inspiram a reflexão, enquanto isso, Albarus Andreos estará disponível para autografar sua obra. Uma mistura de som, poesia e mistério.
Serviço:
Bate-papo sobre Literatura Fantástica com Albarus Andreos e show da banda Fridha.
Onde: Teatro Eva Herz, Livraria Cultura
Salvador Shopping, av. Tancredo Neves
Quando: 20 de abril, 19 horas
Entrada Gratuita
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Luto pelas crianças do Rio
Dada a recente tragédia acontecida no Rio de Janeiro, com a morte de 13 crianças inocentes graças a loucura de uma pessoa mentalmente comprometida, a equipe do ЯPG є Pσєsïα vem demonstrar sua solidariedade junto aos familiares e amigos das vítimas dessa tragédia.
Sabemos que o Brasil é palco das mais variadas tragédias e que vitimam muitas pessoas inocentes: desastres naturais, violência urbana e rural, negligência e descaso social. Nos últimos anos a esse quadro vem se somando o aumento dos casos de violentos surtos de psicopatia, e que culminaram na atual tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira, motivo maior pelo qual reforçamos nossa solidariedade. A seguir o link da carta completa do assassino, postada pelo site G1, demonstrado o grau de sua psicopatia: http://glo.bo/eA7GVv
Essa é uma lição para aqueles que costumam ser pouco solidários com as tragédias acontecidas em outros países, e acreditavam que algo do tipo não poderia acontecer no seu quintal.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Iron Maiden - Recife
Bem, como quem frequenta este blog já deve saber, algum tempo atrás postei comentários sobre The Final Frontier, novo disco do Iron Maiden, e falei sobre minhas expectativas para o show. Vou ser direto e seco, dada minha irritação com o mesmo: a apresentação do Maiden em Recife pode ser resumida a uma palavra e essa palavra é frustração, ao menos para quem não tinha dinheiro para comprar ingressos para o front stage. Mas deixem-me explicar.
Antes de mais nada, devo dizer que a banda estava ótima. Maiden é Maiden, e me parece que a relação com os fãs se mantém a mesma.
Dito isso, minha crítica vai toda a produção do show, conduzida pela "Raio Lazer Produções", e que se destacou por um show próprio, mas nesse caso de puro e simples amadorismo, para ser gentil.
Pra começo de conversa a organização de espaços. Front Stage muito grande e esvaziado, a área da pista apertada entre equipamentos de câmeras, com um andaime colossal no meio da pista, espremendo o público, que por sua vez era tratado como gado, como um bando de animais enjaulados. Aliás, me parece que a presença muito grande da Polícia Militar e de um grande grupo de seguranças serviria somente para conter essa boiada de romper o portão.
E sim, meus amigos, foi como eu me senti, sendo tratado como um animal.
Entendo que a política porca de uso de Front Stage esteja virando modinha no Brasil, dados os interesses do nosso empresariado de visão curta em querer lucrar a qualquer custo. Mas se já acho o "front stage", com o perdão do trocadilho, uma afronta ao consumidor, o que foi feito no show do Maiden em Recife foi no mínimo uma ofensa descarada, uma tremenda falta de respeito e de vergonha na cara por parte da produção.
Não entro no mérito da divisão social que esse tipo de front stage cria, e da própria falta de respeito que isso é com fãs de artistas e músicos em geral. Me prendo somente ao que aconteceu em Recife.
Como havia dito antes: grades reforçadas com muitos guardas entre seguranças e soldados da PM, para conter a boiada, oprimida e espremida detrás das grades, enquanto uma grande área vazia próxima ao palco só fazia aumentar a revolta de quem via aquilo.
Muitas pessoas passando mal, e isso pôde ser conferido nos centros de atendimento médico, a maioria pelo simples fato de que faltava ar e espaço pra tanta gente comprimida. Vejam bem, o show ocorreu no estacionamento do Chevrolet Hall em Recife. Apesar de menor que o Jockey Club (o primeiro tem espaço para 18 mil pessoas enquanto o segundo tem espaço para 16 mil), era espaço o suficiente para o público presente. Mas faltou simplesmente organização.
A estrutura de câmeras e luzes para o show ocupava praticamente todo o espaço frontal reservado a pista comum, e encerrava exatamente na cerca que fazia a separação da área premium, o que deixava somente duas opções a quem não tinha condições de comprar ingressos da área para os "cidadãos de primeiro nível": assistir da lateral do fundão, aproveitando o show somente pelo telão, ou tentar se espremer no meio da multidão comprimida, esforçando-se no empurra-empurra, para tentar se aproximar um pouco que fosse do palco.
Por outro lado, esse "se aproximar" era algo muito relativo, pois a cerca da pista premium, do tal "front stage" fazia você parar no meio do caminho, como podem ver bem na foto acima, a grande distância que cobria a área para aqueles que podiam pagar mais. Em tempos de Restart cobrando o Kit camarim, não basta mais ser fã e chegar cedo para ficar perto do palco. Na verdade isso simplesmente não faz diferença. Você tem que ter dinheiro, ou simplesmente não tem acesso ao palco, ou na pior das hipóteses, como foi o show do Iron em Recife, é tratado como bicho.
Reforço também, outra coisa aqui: Lembram que o que eu falei sobre a grande quantidade de gente passando mal pela má organização do show? Pois bem, só tínhamos dois centros de atendimentos e duas ambulâncias móveis para atender todo esse povo. Em compensação eram 100 policiais e 300 seguranças, cujo único trabalho foi levar as pessoas que passavam mal ao atendimento, e assistir o show de lugares privilegiados. Acreditem o segurança que estava do meu lado aproveitou bem mais o show do que eu. A cerca que nos dividia fazia toda a diferença.
Quanto ao show em si, pouco pude aproveitar. Vi mais mãos e partes do show no telão do que a apresentação propriamente dita. Mas vale ressaltar o respeito da banda pelos fãs que se demonstrou claramente em um determinado momento, quando Bruce Dickinson, vocalista, ignorou "a gente da nobreza", se voltando para a multidão presa atrás da divisória, dividida em duas partes, e tentando inspirar todo esse povo conclamando a participar do show. Ou estaria o lendário vocalista a conclamar o público a destruir de uma vez por todas aquelas grades e romper a divisória? bem, isso é algo que não tenho como saber, mas admito que a dúvida persiste no ar...
Quanto a organização, segundo palavras da mesma, a mudança de espaço do show serviu para o comodismo das pessoas que frequentaria o mesmo. E sim, as pessoas de fato estavam muito bem acomodadas, afinal, estavam bem protegidas do gado preso logo atrás...mas quem se importa com o gado, não é mesmo?
terça-feira, 29 de março de 2011
Cold Gin - Kiss
Cold Gin
Kiss
Whoo, alright
My heater's broke and I'm so tired
I need some fuel to build a fire
The girl next door, her lights are out, yeah
The landlord's gone, I'm down and out
Ooh, it's cold gin time again
You know it'll always win
Cold gin time again
You know it's the only thing
That keeps us together, ow
It's time to leave and get another quart
Around the corner at the liquor store
Haha, the cheapest stuff is all I need
To get me back on my feet again
Ooh, it's cold gin time again
You know it'll always win
It's cold gin time again
You know it's the only thing
That keeps us together, ow
Whoa yeahOoh, it's cold gin time again
You know it'll always win
It's cold gin time again
You know it's the only thing
That keeps us together, ow
Gin Gelado
Whoo, alright
Meu aquecedor quebrou e eu estou tão cansado
Eu preciso de algum combustível para acender meu fogo
A próxima garota, suas luzes estão acesas, yeah
O proprietário saiu,
Eu estou mal e fora
Ooh, é hora de um gin gelado de novo
Você sabe que sempre ganhará
Hora do gin gelado de novo
Você sabe que é a única coisa
Que nos mantém juntos, ow
É hora de ir e conseguir outro quarto
Em volta da esquina na loja de bebidas
Haha, o mais barato é tudo que eu preciso
Para me voltar aos meus pés novamente
Ooh, é hora de um gin gelado de novo
Você sabe que sempre ganhará
Hora do gin gelado de novo
Você sabe que é a única coisa
Que nos mantém juntos, ow
Whoa yeahOoh, é hora de um gin gelado de novo
Você sabe que sempre ganhará
Hora do gin gelado de novo
Você sabe que é a única coisa
Que nos mantém juntos, ow
domingo, 27 de março de 2011
Lançamento SOBRENATURAL (Conto "O Herege")
Data: Dia 27/03 (Domingo) das 15h30 às 18h30.
Localização:
- Avenida Paulista, 509, São Paulo - (próximo à Estação Brigadeiro do Metrô).
Site da Livraria Martins Fontes: http://www.martinsfontespaulista.com.br
Sobre o evento:
- Convênios com estacionamentos - Rua Manoel da Nóbrega, 95 ou 88. Primeira hora gratuita.
- Na noite do evento, teremos um coquetel com vinho branco, água, refrigerante e garçom, além de um mix de castanha, amendoim e uva-passa.
Pré-venda do livro Sobrenatural:
- Na Martins Fontes: http://migre.me/3ZV28
- No Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/153952-sobrenatural
Pré-venda do livro Sobrenatural:
- Na Martins Fontes: http://migre.me/3ZV28
- No Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/153952-sobrenatural
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