terça-feira, 29 de dezembro de 2009

FLORESTA ESMERALDA: Informações de Jogo

VILA ESMERALDA: Situada na entrada da Floresta Esmeralda, a vila surgiu de uma tribo de caçadores que chegou à clareira na entrada da floresta a cerca de 200 anos atrás, e tem prosperado desde então.

Esses humanos adoram a Obad-Hai, e embora a maioria deles não saiba o que há no interior da misteriosa Floresta Esmeralda, as tribos élficas sabem da sua existência e preferem evitar qualquer tipo de contato.

Mas às vezes as coisas fogem do controle...

Há 32 anos atrás, a filha do ferreiro da vila se perdeu na floresta, e reapareceu depois de 3 dias dizendo que foi salva por um lindo rei elfo. A garota tinha 13 anos, e seus pais acharam que ela teria delirado estando tanto tempo perdida na floresta. Porém, ela passou a desaparecer com freqüência, até que 2 anos depois deu à luz a gêmeos, e nunca mais voltou à floresta. Hoje, com 46 anos, Valéria (GUE 9) é a melhor ferreira da Vila Esmeralda, e seus filhos viajaram há cerca de 16 anos “para aprender coisas novas sobre o mundo”.

Também nessa época, surgiram na vila alguns elfos, que reforçaram a lenda de que a Floresta Esmeralda é encantada, e possui criaturas mágicas como elfos, fadas e bruxas. Porém, como esses elfos se tornaram habitantes respeitáveis da vila, as pessoas se acostumaram a eles e não procuraram saber sua origem.

A pequena Lia Näilo (MAG 1) chegou à Vila Esmeralda no mesmo período, e foi adotada pelo Mago Thimoty (MAG 9), professor da Escola de Magia, de quem cuidou até sua morte com 103 anos, ocorrida 2 dias antes da chegada dos PJs. Dizem que Lia, com seus poderes de elfa, retardou a morte de seu protetor.

O Capitão da Guarda, o meio-elfo Julian Galanodel (GUE 3), é filho do General Alexander (GUE 10) com uma encantadora elfa também chegada na vila há cerca de 30 anos atrás. Alexander, então com 23 anos e Capitão da Guarda do Rei, desposou Mialee Galanodel (MAG 6) 8 meses depois que ela apareceu em sua fazenda pedindo abrigo e comida. Julian tem 29 anos, mas suas habilidades com arco e espadas já se mostraram superiores às da maioria dos guerreiros da vila (exceto seu pai, Valeria e o próprio Rei Mikael), lhe rendendo um alto posto na milícia local.

Um dos acólitos do Reverendo Sullivan (CLE 9), o meio-elfo Raphael (CLE 1), nasceu há 23 anos. Sua mãe, uma feiticeira que vivia numa cabana fora dos limites da vila, morreu ao dar à luz, mas antes deu-lhe o sobrenome de Liadon, dizendo que assim se chamava seu pai, que seguiu em direção à Floresta Esmeralda antes do seu nascimento, e nunca mais voltou.

Todos sabem da lenda da Fortaleza Perdida dos Anões, mas como os aventureiros que se arriscaram pelo Pântano Sombrio nunca voltaram (o único sobrevivente voltou dos pântanos cego e louco), eles acham que a Fortaleza nunca existiu, ou foi destruída junto com os anões.

Alguns (os elfos, meio-elfos e os poucos humanos que têm contato com eles) conhecem as lendas sobre os elfos, fadas e bruxas da floresta, e poucos (alguns elfos) sobre o Lago das Ninfas, que guarda a chave de um grande tesouro. Mas essas lendas não são contadas, e se o fazem geralmente suas histórias são assustadoras o suficiente para desencorajar qualquer aventureiro que queira se arriscar a penetrar na Floresta Esmeralda e atravessar o Pântano Sombrio em busca de tesouro nas Montanhas Brancas, das quais ninguém voltou sem graves seqüelas.


 ESTATÍSTICAS:

Vila Esmeralda.
Divindade: Obad-Hai
Domínio: Plantas, Animais
Tendência: Leal e Bom
Personagens Importantes: Mikael GUE 13 (Rei), Alexander GUE 10 (General), Sullivan CLE 9 (Reverendo do Templo de Obad-Hai), Mialee Galanodel MAG 6, Julian Galanodel GUE 3 (Capitão da Guarda), Valeria GUE 9 (Ferreira), Lia Näilo MAG 1 (Aluna da Escola de Magia), Raphael Liadon CLE 1 (Acólito do Templo de Obad-Hai).
Pop 1.208: 1 GUE 13, 1 GUE 10, 1 CLE 9, 1 MAG 6, 1 GUE 3, 1 CLE 3, 9 GUE 1, 3 MAG 1, 5 CLE 1, 220 COM, 180 ARQ, 40 GUA, 745 PLE.

Informações para mesa de D&D 3.5

sábado, 26 de dezembro de 2009

Conversa Afiada

Mudando um pouco de assunto, ou "urubuservando a situação"... Encontrei esse vídeo no blog de Paulo Henrique Amorim e achei bastante interessante, até porque Lula fala a mais pura verdade. Pude, e posso, ver os resultados disso no meu trabalho, e realmente o cara fez o Brasil crescer. Não sou do PT, mas votei em Lula nas últimas eleições (não só nas duas que ele ganhou), e não me arrependi. Além do mais, ele está investindo em Camaçari, que além de sediar a fábrica da Ford, é o maior polo petroquímico da Bahia. E cá entre nós, quem paga suas dívidas certinho todo o mês são os pobres mesmo...


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O Mundo de Ponta Cabeça (1649)

Balada épica sobre os "diggers" (cavadores) ingleses em 1649. Os cavadores eram camponeses radicais que defendiam o fim da propriedade, da Igreja e do Estado monárquico. Quando eles se levantaram, o "mundo ficou de ponta cabeça". Eram bons tempos, onde ficar de ponta cabeça queria dizer provocar uma mudança significativa na sociedade. Ponta cabeça hoje é se dar conta de que para botar o pé no chão, tem que ter asas.

Em 1649
Na colina de St. George
Um grupo de maltrapilhos chamados de "Cavadores"
Vieram para mostrar a vontade do povo

Eles desafiaram os latifundiários
Eles desafiaram as leis
Eles eram os que não tinham nada
Reclamando pelo que era deles

Nós viemos em paz, diziam eles
Para cavar e semear
Nós viemos trabalhar a terra comum
E para fazer a terra seca florir

Essa terra dividida
Nós faremos ser uma só
Para que então possa ser
Um tesouro comum para todos.

O pecado da propriedade
Nós desdenhamos
Ninguém tem o direito de comprar e vender
A terra para seu próprio ganho

Foi por roubo e matança
Que eles tomaram a terra
Agora em todos os lugares os muros
Erguem-se aos seus comandos.

Eles fazem as leis
Para nos bem aprisionar
E a Igreja nos confunde com o céu
Ou então nos amaldiçoa com o inferno

Nós não vamos adorar
O Deus que eles servem
O Deus da cobiça que alimenta os ricos
Enquanto homens pobres passam fome

Nós trabalhamos, nós comemos juntos
Não precisamos de espadas
Não nos curvaremos para mestres
Ou pagaremos aluguel aos senhores

Nós somos homens livres
Ainda que sejamos pobres
Que todos os Cavadores se levantem para a glória
Levantem-se agora

Diante dos homens de propriedade
As ordens vieram
Eles mandaram os capangas e os soldados
Para apagar com os desejos dos Cavadores

Arrebentando com suas casas
Destruindo o seu milho
Eles foram dispersados
Apenas sua visão prevalece

Pobres, tenham coragem
Ricos, tomem cuidado
A terra foi feita como um tesouro comum
Para todos dividirem

Todas as coisas em comum
Todos por um
Viemos em paz
E a ordem veio para com eles acabar

domingo, 20 de dezembro de 2009

Crônicas Vampirescas

Já que a moda agora são os vampiros, recomendo a vocês dois filmes sobre o assunto, inspirados em três das Crônicas Vampirescas de Anne Rice: "Entrevista com o Vampiro", "O Vampiro Lestat" e "A Rainha dos Condenados". Os filmes, Entrevista com o Vampiro e A Rainha dos Condenados, trazem vampiros de centenas e até milhares de anos ao nosso tempo, mais precisamente ao século XX. Estes sim, são vampiros de verdade, que vêem seu poder, sua sabedoria e sua crueldade aumentar no decorrer dos séculos, sofrendo todas as desventuras da imortalidade. Parafraseando o Queen na trilha de outro filme famoso sobre o tema, "who wants to live forever?"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Chupa que é de uva!"

Excelente piada do Casseta! Ela exprime meus mais profundos sentimentos (e gargalhadas) em relação à série "Prepúsculo", com seus vampiros-purpurina e lobisomens de mentira:


domingo, 13 de dezembro de 2009

Crônicas do Mundo Emerso


As Crônicas do Mundo Emerso, de Licia Troisi, uma escritora italiana, contam as aventuras de Nihal, última sobrevivente da extinta raça de semi-elfos, e de seu amigo, o mago Senar. Uma boa trilogia fantástica, de narrativa leve e história interessante, fugindo um pouco do tradicional universo "Terra Média". Abaixo, os livros da trilogia: A Garota da Terra do Vento, A Missão de Senar e O Talismã do Poder.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Dá-lhe, Marceleza!!!

Voltando ao assunto música baiana, eu ouvia muito o Camisa de Vênus quando era adolescente, e ainda gosto, mesmo que a banda não esteja mais na ativa. E quando eu vejo o Marcelo Nova em situações como essa, não posso deixar de rir muito. Queria ver a cara do sujeito que se meteu a entrevistar esse figura, se é que ele não a enfiou em algum lugar depois dessa. Chego a ter pena do coitado... Mas também, olha só as coisas que ele foi perguntar pro cara!! Confiram no link abaixo, e vejam se não tenho razão...




http://www.metropoletv.com.br/index.php?id=VFdwRk13PT0

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Siolli V

Em meu peito de pedra, foi esculpido um nome a brilhar...

O meu coração se fez em pedaços, em pequenos grãos de areias ao te ver partir.

O furacão levou os cacos e outros novos, vieram com a chuva do ar.

E o meu sonho em nuvens, em neblinas, é de se transformar.

Agora o vento é senhor do meu destino

E os meus caminhos...

Foram entregue a brisa, brisa que vai para o mar.


Edson Siolli

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mulher

Sou uma mulher.
Escovo meus cabelos por comodismo, mas odeio depilar as pernas.
Não faço as sobrancelhas porque meus óculos escondem tanto elas como minhas olheiras.
Então também não preciso de maquiagem.
Até que eu gosto de saias, mas não sei me comportar com elas.
Ainda não aprendi a andar de salto, por isso eu uso tênis.

Mas eu sei chorar baixinho no escuro do quarto.
E sei fazer carinho como ninguém.
Gosto de histórias e histórias.
Sei contar e ouvir também.
Peço pra lua me trazer um amor.
E beijo seu rosto quando você está dormindo.

Isso e tantas outras coisas porque
Sou uma mulher.

By ANGEL

domingo, 6 de dezembro de 2009

Raul é documento (ou será documentário?)

Não gostei do documentário sobre Raul Seixas, o "Por toda minha vida", da Globo. Muito melhor que ele é este que encontrei no youtube. Bem mais completo e menos piegas...













sábado, 5 de dezembro de 2009

Siolli IV

Um ser míope, és meu coração
dentro deste homem infame
onde as meninas do teu olhar
traz a lástima desta melodia
E ao ser embelezado com a sua presença

Ha pequenos momentos de satisfação
minados de insegurança
Se este corpo a outras oferto
será frio, sem pulso e batimentos.

um ser míope, és meu pulmão
e ao inalar tua presença
Ver migrar sentimentos, como migra o vento
dono de todos os lugares
Qual diva me aguardará??
Nem sabe o amor fictícios
Que para ela ofereço
E este entusiasta que sou
nem acreditava no amor.



Edson Siolli

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Lenda das Jóias das Fadas

“Há quase 10.000 anos atrás, um ranger elfo apareceu no Lago das Ninfas, e se aproximou de uma delas com os olhos vendados Pediu para conversar com a fada, e em pouco tempo eles se tornaram amigos. Passeavam pelo Vale Encantado, rindo e conversando, mas ele sempre se dirigia a ela de olhos fechados. Um dia, ela perguntou:

– Por que não me olhas?

– Porque tenho medo.

– Tens medo de mim?

– Não de ti, a quem eu quero bem, mas da tua beleza, que cega e mata.

– Não fales assim! Jamais o cegaria! Abra os olhos, veja como sou linda!

O ranger obedeceu, e contemplou a beleza da ninfa sem sofrer qualquer dano. Naquele momento, o Rei Amakiir da Tribo dos Elfos da Floresta apaixonou-se pela ninfa Eilën, e os dois começaram um romance que despertou a ira de Ondine, Rainha das Ninfas, mãe da pequena fada. A Rainha do Lago baniu a filha do Vale Mion. O rei elfo desposou Eilën, e ela se tornou a Rainha da Floresta Esmeralda. Ondine, furiosa, perseguiu Amakiir até matá-lo nas Montanhas Negras, que a partir desse dia passaram a se chamar Montanhas da Morte. Eilën teve filhos gêmeos, mas fora do lago a ninfa não resistiu ao parto e morreu poucos dias depois do nascimento dos bebês. Estes cresceram entre os elfos da floresta, e o garoto tornou-se um ranger poderoso, enquanto sua irmã se tornou a primeira druida da Floresta Esmeralda.

A Rainha Ondine, quando soube da morte de sua filha mais velha, arrependeu-se da sua crueldade, e criou três gemas mágicas, com as quais mandou fazer três medalhões: O Medalhão de Safira para Siannodel, Rei da Tribo dos Elfos das Montanhas; o Medalhão de Esmeralda para os gêmeos Amakiir, Chefes da Tribo dos Elfos da Floresta; e o Medalhão de Rubi para Halakiir, Rei da Tribo dos Elfos Drows do Subterrâneo. Cada jóia foi entregue ao soberano da sua tribo, com a promessa da Rainha do Lago de que as ninfas e os elfos doravante seriam aliados, e lutariam juntos para preservar a paz e harmonia dos vales e montanhas onde coabitavam.

De posse do medalhão, cada soberano elfo deveria voltar ao Lago das Ninfas sempre que precisasse de ajuda. Porém, as gemas mágicas só reconheceriam como portadores os elfos a quem foram destinados, ou seus descendentes. Qualquer outra pessoa que tentasse levar um medalhão ao Vale Encantado sem ser o seu legítimo dono, seria morto por ele no caminho. Uma vez ativada, a gema drena a energia vital de qualquer impostor que tente levar a jóia de volta ao Lago das Ninfas.

Mas um dia os anões chegaram na Floresta Esmeralda, cavando túneis e profundas minas nas montanhas. Construíram sua fortaleza escondida, e mudaram para sempre a relação entre os elfos. Suas riquezas despertaram cobiça, e em pouco tempo tornaram-se inimigos dos drows. Iniciou-se então uma guerra entre as tribos, e dessas contra os anões, e em meio à ganância de todos, os Medalhões das Ninfas se perderam, e a Antiga Aliança foi esquecida.”



Trecho de FLORESTA ESMERALDA

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sleeping Sun - Nightwish

Tive várias fontes de inspiração quando comecei a escrever Arabella, desde livros e músicas a jogos de PC e RPG. Uma delas foi esse vídeo do Nightwish, feito em 2005 quando a banda regravou Sleeping Sun. Enjoy it:


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Siolli III

No mundo do absurdo
tenho você em minhas lembranças
não sei se quero molda-las
nem sei o porque do apego
crie um mito em meus pensamentos
e uma Deusa em meu coração
Cada dia que passa,
este Deusa Mito ganha forças e virtudes;
como um encanto
nem posso retira-la de dentro de mim
Você...
é uma escada
quando preciso subir
é um buraco
quando tenho de cair
é uma porta aberta
quando estou preso
é um cofre
quando estou com medo
é uma criança
quando preciso de um sorriso
é uma senhora
quando preciso de conselho
é uma companheira
quando estou sozinho
é uma mãe
quando preciso de um puxão de orelha
é uma irmã
quando tenho que roubar doce na geladeira
é uma amiga
para brincar a qualquer hora
é um grande amor
para um coração solitário
e uma grande mulher
para qualquer homem.


Edson Siolli

domingo, 29 de novembro de 2009

A História de Lia Näilo

Lia Näilo é uma elfa da floresta que foi adotada por um mago da Vila Esmeralda quando ainda estava entrando na puberdade. Ela morou no pequeno reino dos humanos por 30 anos, convivendo com a desconfiança acerca dos elfos, de seus poderes e de sua suposta imortalidade. A seguir, um pequeno trecho do livro Floresta Esmeralda:


O sol mal tinha se levantado no dia seguinte, e os rapazes já estavam de pé, arrumando suas coisas. Lia ainda não tinha descido, então Vagnus, que terminou de arrumar a sua mochila primeiro, se dirigiu à cozinha para preparar o desjejum. Kraven ajustou a armadura no corpo, testando para ver se sua costela estava mesmo inteira de novo. Dart fechou a mochila, pegou sua viola e começou a afinar as cordas. Nenhum deles percebeu a garota no topo da escada, olhando para eles.

– Vão precisar de mais comida dessa vez.

Os rapazes pararam imediatamente o que estavam fazendo. Vagnus voltou para a sala, com uma faca de cortar pão na mão, e parou na porta.

Eu vou levar vocês ao lugar onde ficava a tribo em que eu nasci. – começou Lia, descendo as escadas devagar e com a cabeça baixa. – A Tribo dos Elfos da Floresta, como é chamada. Há trinta anos ela foi atacada pelos drows, liderados por um Mago Negro que ninguém sabe o nome, nem de onde ele veio. O Mago matou nosso rei, Ivellius, e os drows destruíram a tribo, matando todos que encontravam. Alguns fugiram, como eu, e vieram para a Vila Esmeralda. Os humanos nos temem, acham que somos seres sobrenaturais, mas conseguimos nos abrigar entre eles, porque no fundo são pessoas boas. Eu fui acolhida pelo Mago Thimoty, professor dessa escola, que me abrigou e me ensinou magia. Cuidei dele até sua morte, o velho foi muito bom comigo. Mas, sem a proteção dele, eu não passo de uma estranha nessa vila.

“Eu conheci o pai de Raphael. Era amigo de meu pai. Meus pais foram mortos por um combatente drow, quando acobertavam minha fuga. Eu me escondi na floresta, e vi os drows incendiarem as nossas moradas. Eles mataram todos, mulheres, crianças, velhos. Não achei que tivesse sobrevivido mais ninguém além dos que vieram para cá, mas a carta de Himos dizia que ele voltou para a tribo. Eu preciso saber se tem alguém lá. Preciso saber se meu povo sobreviveu, se minha tribo ainda existe.

“Depois da Tribo da Floresta tem uma trilha que leva até as Montanhas Brancas sem passar pelo Pântano Sombrio. O caminho é bem mais longo, porém, menos perigoso. Eu não sei onde fica, mas não deve ser difícil de encontrar. Se vocês me ajudarem, posso tentar encontrar a trilha e levar vocês até onde as lendas dizem que a Fortaleza Perdida dos Anões pode estar. E se ainda restou alguém vivo na tribo pode ser que eles nos ajudem.

"E então?




Trecho de FLORESTA ESMERALDA

sábado, 28 de novembro de 2009

Nostalgia

Saudade de meu tempo de criança (tinha 9 anos quando conheci essa música)... E saudade do Raulzito... Então, TOCA RAUL!!!


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Siolli II

Já amei oito vezes.
Tive o primeiro amor!
Que me ensinou a sofrer!
Pouco ela quis que eu sonhasse.
Durou tão pouco quanto um sorvete.
Meu segundo amor!
Ela já sabia amar,
me ensinou a pedir perdão.
Pouco ela quis sonhar.
Durou tão pouco quanto os dias da semana.
Meu terceiro amor...
foi quando descobrir que era amado.
Me fez sonhar com os primeiros amores...
mas sabia que eu estava enganado.
Durou um tempo de um beijo.
Meu quarto amor,
me fez sentir maduro,
me ensinou a sonhar,
me disse que eu não podia pedir perdão.
Durou o tempo de um suspiro.
Meu quinto amor!
Ensinei mais do que aprendi.
Me mostrou um mundo que eu não conhecia.
Entrou e saiu como um dia.
Meu sexto amor...
me mostrou todos os meus erros.
Me disse para eu não ir embora.
E quando eu fui, deixou a porta aberta.
Durou tanto quanto uma vida.
Meu sétimo amor,
me fez nascer de novo.
Foi tudo que eu queria que ela fosse.
Me deu uma luz, que eu fiz questão de apagar.
Meu oitavo amor,
me fez perceber que eu sou feito de carne e osso,
que meu coração é de pedra.
E o que importa nesta vida é...
uma boa gozada!


Edson Siolli

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

5 contra 1 - A BANDA


Qualidade de som não depende muito de aparelhagem, embora ela ajude um bocado. Mesmo assim, tem gente nesse Brasil (e nessa Bahia) que faz som de qualidade seja em um material com suporte adequado, seja em fundo de quintal. Uma das bandas baianas que eu mais gosto (sim, eu gosto de música baiana, por que não???) é a 5 contra 1, que mistura baião com reggae, rock e hardcore. Vi essa banda nascer, assisti a vários ensaios e shows, e posso dizer que os rapazes estão arrasando a cada apresentação, enquanto tentam resistir ao total descaso acerca da cultura e da música alternativa na Bahia. Infelizmente, de acordo com a proposta da banda quando foi criada, ela ainda representa a luta de 5 caras contra 1 sistema injusto e desigual. A seguir, Recado pra Io-iô:


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mapa da Floresta Esmeralda



Este é o mapa da Floresta Esmeralda, que vai da Vila Esmeralda até as Montanhas Brancas, abrangendo as regiões conhecidas dos humanos da vila e as tribos dos elfos, encontradas por nossos heróis. O mapista do grupo é o bardo Dart Silverwolf, mas os créditos pelo mapa são mesmo de Márcio Tattoo, que fez o desenho a lápis e me deu de presente. Muito obrigada, Velho Márcio!!!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Siolli I

O objeto


Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são.
Se for um copo é um copo
se for um cão é um cão.
Mas quando o copo se parte
e quando o cão faz ão ão?
Então o copo é um caco
e um cão não passa dum cão.

Quatro cacos são um copo
quatro latidos um cão.
Mas se forem de vidraça
e logo foram janela?
Mas se forem de pirraça
e logo forem cadela?
E se o copo for rachado?
E se o cão não tiver dono?
Não é um copo é um gato
não é um cão é um chato
que nos interrompe o sono.

E se o chato não for chato
e apenas cão sem coleira?
E se o copo for de sopa?
Não é um copo é um prato
não é um cão é literato
que anda sem eira nem beira
e não ganha para a roupa.

E se o prato for de merda
e o literato de esquerda?
Parte-se o prato que é caco
mata-se o vate que é cão
e escreveremos então
parte prato sape gato
vai-te vate foge cão

Assim se chamam as coisas
pelos nomes que elas são.

Edson Siolli

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Anno Domini



Minha primeira publicação, o conto A Filha da Parteira, foi na antologia de contos medievais intitulada ANNO DOMINI, pela Editora Andross, de São Paulo. Foi bem interessante e divertido, apesar de ter cometido um erro imperdoável, adiantando a data da história original, saltando do século XV para o XVI. O caso é que eu me atrapalhei com os "Henriques", e esqueci que no século seguinte os bispos que caçam bruxas não são os católicos, mas os protestantes, mais precisamente os Anglicanos (apesar do pequeno intervalo durante o reinado da filha de Henry VIII, "Bloody" Mary Tudor). O resultado disso é que, para o conto fazer sentido do ponto de vista histórico, o leitor deve desconsiderar a data impressa, reduzindo-se 100 anos nela, o que nos traz de volta à data do conto como eu escrevi originalmente, ou seja, 1486. Peço desculpas a todos por esse equívoco, já adiantando que o erro está sendo corrigido para que o conto possa fazer parte da história do livro Arabella, que estou escrevendo no momento. Abaixo, a capa da antologia, lançada em julho de 2008:



domingo, 22 de novembro de 2009

Chiaroscope - Pitty

Achei bem legal o DVD da Pitty, o "Chiaroscope". Mantendo a tradição de "vídeos caseiros" (quem ainda não viu o Admirável Vídeo Novo não perderia nada em conferir), ela e a banda filmam as gravações do Chiaroscuro, feitas em um estúdio na casa do Duda. Além da própria descontração da banda, e de mostrar o trabalho que dá gravar um disco (lembro que o primeiro vídeo desse estilo que eu assisti foi do Metallica, e gostei muito), Pitty ainda apronta com "A Sombra", onde eles estão vestidos de coelhos (isso mesmo, coelhos!!), "Água Contida", onde é feito um painel com um belo grafite, e nos extras, com "Sob o Sol", onde podem ser vistas imagens da "feia e suja Salvador". Abaixo, o clip de "Trapézio", no qual eles colocam em prática aquela frase de Cazuza, "o banheiro é a igreja de todos os bêbados":



sábado, 21 de novembro de 2009

RPG a 1000 - Floresta Esmeralda

FLORESTA ESMERALDA narra as aventuras de três amigos que resolvem encontrar os lendários tesouros da Fortaleza Perdida dos Anões, que dizem ficar no Vale Encantado, depois da perigosa e sombria Floresta Esmeralda. Chegando à Vila Esmeralda, a cidadela de humanos na entrada da floresta, Dart, Vagnus e Kraven encontram uma guia bastante misteriosa, Lia, que lhes apresenta seu amigo clérigo Raphael, e juntos, eles vão em busca do tesouro das lendas. Mas encontram muito mais do que jóias e... encrencas!




Trecho do livro:

– Não vejo a hora de chegar. Estou faminto! – bradou Kraven, um guerreiro elfo de olhos azuis e cabelos muito louros.
– E eu, exausto! – completou Vagnus, um humano de cabelos castanhos e trajes de feiticeiro – Tomara que essa vila tenha uma boa hospedaria...
– E uma excelente taberna! – acrescentou Dart, o bardo meio-elfo, dando tapinhas às costas do amigo – Com uma excelente cerveja e uma garota bonita para nos servir!
– Assim você nos deixa em desvantagem, companheiro! – disse, rindo, Vagnus.
– Tudo bem... Três garotas lindas para nos servir! Satisfeitos, cavalheiros?
– E um javali assado com calda de maçã... – Kraven fechou os olhos e levou as mãos à barriga, o que fez com que os amigos caíssem na gargalhada.

Link da comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=82422897

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A Filha da Parteira

O sol se erguia preguiçoso no horizonte, iluminando a fumaça que subia aos céus em uma densa espiral. Ela continuava ali parada, alheia ao cansaço e à fome, tentando entender o que havia acontecido. O vento frio cortava seu rosto, ainda aquecido pelo calor do fogo que agora se extinguia. Olhava para os restos da enorme fogueira diante de si, e se perguntava como tudo aquilo começou. Recordou de si mesma ainda pequena, vendo sua mãe se arrumando apressada para atender um senhor muito jovem que aguardava aflito na soleira da porta aberta da sala.
– Minha esposa está para dar a luz, senhora! – dizia alto enquanto a porta do quarto se fechava. – Por favor, apresse-se!
Então sua mãe saía às pressas, e demorava a voltar, como tantas outras vezes em outras tantas horas diferentes do dia ou da noite. Madeleine Tyburn era a melhor parteira da região, e atendia não só aos moradores da vila onde viviam, mas também a toda a circunvizinhança, motivo pelo qual às vezes passava vários dias fora. Então a pequena Arabella ia para a casa de sua avó, Sibila, onde aprendia a fazer chás e bolos de diferentes tipos. Alguns anos mais tarde, por volta dos 9 anos, já acompanhava sua mãe em alguns partos mais próximos de casa, e a ajudava como podia, enquanto a velha Sibila ensinava agora chás para dor de barriga, beberagens para dor de dente e pastas de ervas para curar ferimentos. Era assim que se transmitia a profissão: de mãe para filha, as mulheres da família aprendiam desde cedo os mistérios do nascimento e da vida, e mais tarde, da morte.
Nem todos os partos eram bem sucedidos. Arabella se recorda do primeiro recém-nascido que vira morrer, e de como o pai da criança reagiu à notícia:
– Bruxa! Mataste meu filho! Pagarás por isso, pagã maldita!
Tampouco todos os pedidos eram de homens que em breve seriam pais; às vezes, algumas jovens procuravam Madeleine não para dar a vida, mas para interrompê-la. Essas a parteira atendia em um quartinho dos fundos, já preparado para recebê-las, no qual Arabella foi proibida de entrar até seus 13 anos. Outras vezes senhoras mais velhas chegavam se queixando de dores enquanto tomavam chá na sala, e saíam com saquinhos de preparados de ervas que sua mãe lhe explicou que eram para aliviar os males do fim das regras da mulher, quando ela se tornava anciã.
Assim, aos 16 anos Arabella já sabia o suficiente das artes da profissão para se considerar uma parteira iniciante. Acompanhava sua mãe em todos os casos, atendia sozinha os mais fáceis e dava assistência às mulheres que precisavam ficar de repouso depois de abortos mais complicados. Foi aí que tudo começou.
Madeleine havia sido chamada à casa de Lady Caroline, esposa de Lord Landaff Moey, duque de Portland, para atender sua filha Mattie, que tinha a idade de Arabella. A garota escondia há 6 luas (cerca de 5 meses) uma gravidez que provocaria uma verdadeira explosão no pequeno castelo da família Moey. Antes que seu marido descobrisse da pior maneira o romance da filha com o filho do moleiro, Lady Caroline chamou a parteira em segredo, para que fizesse o aborto em casa, aproveitando-se de uma ausência demorada de Lord Moey.
– A gravidez está avançada, e a garota é muito jovem. – Argumentou Madeleine. – Não é prudente um aborto nessas condições.
– Apenas faça! – respondeu asperamente a duquesa.
Dada à posição de Lady Caroline, e a gravidade da situação, a parteira não teve como recuar. Sabia das conseqüências se falhasse, mas não teria sorte diferente se recusasse. Com uma breve oração à deusa esquecida da vida e da morte, Madeleine iniciou os procedimentos, temendo tanto pela vida da garota quanto pela sua própria. Mattie parecia estar resistindo bem, mas uma hemorragia pôs fim às esperanças da parteira de que ela sobrevivesse ao aborto. Fez tudo que podia para salvar a garota, e Mattie ainda resistiu por dois dias, morrendo no amanhecer do terceiro dia.
Quando Lord Moey retornou, Lady Caroline o convenceu de que a morte de sua filha fora provocada pelas ervas de Madeleine, que havia sido chamada para curá-la de um descontrole em suas regras. Então o duque de Portland, cristão convicto e bastante influente na Igreja, procurou o pároco e acusou a pobre parteira de assassinato. E não de um assassinato comum; Madeleine havia matado sua filha com as artes negras da bruxaria, que havia aprendido com sua mãe, a famosa pitonisa Sibila Tyburn. Um eminente bispo de Yorkshire, famoso por ter condenado à fogueira várias mulheres em seu condado sob a acusação de bruxaria, foi comunicado de que a filha do duque de Portland sangrara até a morte nas mãos de uma bruxa. Armado com uma bíblia e um compêndio de Kramer e Sprenger, os “filhos queridos” do Papa Inocêncio VIII, o bispo de Yorkshire rumou para o condado de Dorset.
No dia seguinte à chegada do bispo, Madeleine foi denunciada oficialmente ao Santo Ofício por assassinato e bruxaria pelo duque de Portland. Alguns dias depois, foi chamada a depor perante o bispo beneditino, e Arabella ficou sozinha em casa esperando sua mãe voltar do interrogatório. Mas os dias foram se passando, e Madeleine não retornava, nem mandava notícias. Atordoada e com medo do que poderia ter acontecido, procurou sua avó, mas encontrou a casa vazia. Soube, pelos vizinhos, que Sibila tinha sido levada pelos inquisidores há uma semana, portanto três dias antes de sua mãe. Rumou então para a Igreja de Saint Peter, em Dorchester, e lá ficou sabendo que as duas estavam sendo interrogadas separadamente quase todos os dias. Alguns falavam em torturas horríveis, como cordas e ferros em brasa, outros ainda falavam de uma roda que esticava os membros do infeliz até que ele confessasse tudo quanto os inquisidores quisessem.
Arabella não voltou para casa. Dormia nas ruas escuras e malcheirosas próximas ao mercado, sobrevivendo de pequenos serviços em troca de comida, até que uma senhora chamada Hannah compadeceu-se dela e a abrigou. Ensinou-a a fiar e tecer, depois a bordar, e a garota pagava sua estadia com trabalho, como aprendiz da velha senhora. Esta, por sua vez, trazia informações da Igreja sobre Madeleine e sua mãe. Assim a garota pôde saber da morte de sua avó, cerca de dois meses depois de sua chegada.
Ms. Hannah Hutton, uma viúva bastante conhecida por suas belas peças de linho, que adornavam principalmente o púlpito e o altar principal da Igreja local, não tinha dificuldades em colher informações entre os mexericos das beatas. Contou que Sibila fora interrogada pela água, mas os inquisidores calcularam mal sua resistência e ela morreu de uma pneumonia adquirida em decorrência da tortura aplicada, depois de semanas de agonia. Madeleine, no entanto, suportava a tudo, recusando a confessar-se bruxa e alegando-se inocente das acusações que a essa altura já incluíam dezenas de mortes de recém-nascidos, algumas mulheres, e até mesmo gado e plantações de moradores próximos à vila onde morava. Havia também acusações de “mau olhado”. Ainda assim, a parteira passara pelo interrogatório e pela tortura, mas continuava irredutível. A certa altura Ms. Hannah soube horrorizada que os inquisidores tinham ido procurar Arabella para torturá-la na presença de sua mãe, forçando-a assim a confessar seus pecados, porém não encontraram a garota, que a partir desse dia passou a ser chamada de Amie, e a ser apresentada como uma parenta distante da fiandeira.
Arabella começou a fazer bolos e pães, e os vendia no mercado. Aos poucos foi se integrando à vida na paróquia. Com a nova identidade criada por Ms. Hannah, a garota pôde circular dentro dos muros da cidade livremente, absorvendo as diferenças entre aquele lugar e sua pequena vila, com casas distantes umas das outras e grandes florestas em torno das plantações, que davam à terra a aparência de uma enorme colcha de retalhos. Ali as casas eram coladas umas às outras, as ruas estreitas e irregulares, onde as pessoas jogavam lixo e faziam suas necessidades, provocando uma imundície característica dos arredores da barulhenta feira local. Mais adiante ficava a Igreja de Saint Peter, com suas esculturas de santos talhados em pedra e seus vitrais coloridos, contrastando a riqueza da Igreja com a pobreza ao seu redor.
Em pouco tempo “Amie dos bolos” tornou-se bastante conhecida pelos mercadores. Além disso, as encomendas de Ms. Hannah dobraram, já que agora ela contava com a ajuda das mãos hábeis da garota, o que melhorou consideravelmente a vida das duas. Arabella não arriscara mostrar seu conhecimento da profissão de parteira, com medo de chamar a atenção dos padres para si. Apenas para sua protetora mostrara seus dotes, quando esta ficou doente e Arabella a curou com os chás que aprendera com sua avó Sibila. Durante todo o tempo que Ms. Hannah ficara de cama a jovem cuidara dela, além de cumprir sua cota na manufatura, o que fez com que não fosse ao mercado por duas semanas inteiras. Soube depois que nesse meio tempo outra mulher foi trazida para os porões da Igreja acusada de sugar a alma de um recém-nascido pelo nariz.
Até aquele momento, Arabella havia concentrado a acusação de bruxaria à sua família; sua avó era uma pitonisa conhecida, e ouvira várias vezes familiares indignados chamarem sua mãe de bruxa quando algo dava errado, principalmente se a mãe morresse no parto ou o primogênito não sobrevivesse. Comentara o fato com Ms. Hannah, que exclamou em tom de cansaço:
– Minha querida, há dez anos perdemos nossa parteira para as fogueiras da Santa Inquisição, por ter enfeitiçado o antigo padre daqui, fazendo-o cair em pecado. A pobre mulher foi queimada viva com a criança ainda crescendo no ventre. Desde então, não há um mês sem que ao menos uma bruxa seja queimada naquela praça, e já vimos muitas. Será um milagre se sua mãe sobreviver.
Um mês depois soube que a outra mulher havia confessado ser uma bruxa e iria ser purificada pelo fogo em praça pública no domingo depois da missa matinal. Nenhuma das duas quis ir à Igreja nesse dia.
As luas iam e vinham, as estações mudaram, e outras mulheres queimaram na praça, enquanto Arabella aguardava o resultado do processo de sua mãe. Embora soubesse que Madeleine resistia, havia perdido as esperanças de que fosse inocentada. Chorava quase todas as noites agora, mas tomara uma decisão; esperaria para ver sua mãe novamente, ainda que fosse apenas no dia de sua morte. Foi quando recebeu a notícia, em primeira mão, de um dos mercadores que compravam seus bolos: no domingo a bruxa que matou a filha do duque de Portland seria purificada.
Depois de quase dois anos de cárcere e tortura, Madeleine havia sido condenada, pelo crime de bruxaria, a ser queimada viva em praça pública. A garota não conseguia acreditar no que via, pois dentre as acusações que ela ouvia o arauto pronunciar em voz lenta e morosa, existiam coisas absurdas como “cavalgar nua em companhia de outras bruxas, voando ao encontro de Satanás”, “copular com demônios chamados Incubus, e dessa união ímpia gerar uma criança”, “sacrificar os inocentes em louvor ao diabo”, “infligir males ao rebanho de Lord Smith, fazendo-o minguar”, e “fazer sangrar até a morte por artes mágicas a filha do duque de Portland”, a única das acusações que tinha sentido, ainda que também fosse falsa.
Em seguida, viu sua mãe sendo trazida em uma carroça, e acorrentada pelo carrasco a um pequeno poste no centro de uma grande fogueira. A multidão gritava, amaldiçoando-a e lhe atirando pedras e lama. Arabella nunca tinha assistido a uma execução pública, mas aquelas pessoas estavam habituadas ao que consideravam uma diversão bem-vinda, ainda mais quando o condenado era um desafeto da comunidade. Algumas pessoas reconheceram Madeleine; Arabella pôde ver a compaixão em seus rostos, e chegou mesmo a reconhecer uma jovem que sua mãe atendera três anos antes, com seu filho nos braços, se retirando da praça com os olhos marejados e uma expressão de profundo pesar.
Então, lentamente as chamas envolveram a parteira, que gritava e blasfemava contra aqueles que a condenaram, amaldiçoando-os em nome dos deuses antigos, o que provocou reações indignadas da multidão católica, até que uma pedra maior a atingiu na cabeça e ela desmaiou. O corpo de Madeleine foi consumido rapidamente pelas chamas, exalando um odor forte de carne queimada, e quando não restaram mais vestígios da pobre mulher, a multidão se dispersou, restando apenas Arabella e o pálido amanhecer do Solstício de Inverno do Ano de Nosso Senhor de 1486.


By ANGEL